A imprensa industrial

O jornalista do Estadão, Pedro Doria, que também mantém uma coluna sobre tecnologia e mídia no caderno Link do mesmo jornal, costuma fazer uma comparação entre a indústria fonográfica e os grandes jornais e revistas.

Doria foi o primeiro jornalista brasileiro a ter um blog jornalístico. Em alguns artigos, ele costuma dizer que “o mundo pós-industrial é um mundo de micronichos”. Isso diz tudo.

Um dos seus artigos, “O futuro é logo ali”, faz parte do livro recém lançado “Jornalismo Online – modos de fazer”, que reúne artigos de pesquisadores e profissionais de comunicação do Brasil e de Portugal. Você pode ler o trecho do artigo aqui e ver o raciocínio do jornalista comparando as duas indústrias.

Segue o trecho que  Doria descreve o jornal impresso:

A imprensa industrial

Observe uma redação: há um amplo espaço, uma grande sala onde são distribuídas as editorias – economia, cidades, política, esportes, cultura. Desde a manhã até mais ou menos o fim da tarde, repórteres vão à rua para trazer notícias. Na redação, escrevem seus textos e os repassam a seus editores imediatos, que os leem, buscam corrigir-lhes as falhas, decidem onde entrarão na página e que título devem ter. Cada editor está em contato com os responsáveis pela primeira página e para estes vende seus melhores assuntos, disputando o espaço e os destaques da capa.

Produzido o jornal, ele é impresso na gráfica e de presto encaminhado, quando ainda é cedo na madrugada, para uma frota de caminhões e kombis que varam a cidade e o Estado, levando cópias a bancas distribuídas em cada esquina. O dono de cada banca decide onde posicionará o jornal, se empilhado no fundo ou aberto na frente – não há muito espaço na maioria das bancas.

Quem tiver a melhor manchete, a foto mais atraente, venderá mais. Quem dia após dia vender mais, terá a preferência dos donos das menores bancas. Quem estiver em mais bancas atingirá um público maior. Quem tiver um público maior e variado chamará a atenção dos grandes anunciantes que buscam um método de se apresentar aos consumidores. Boa parte do rendimento dos jornais depende desses anúncios – ainda mais do que o valor angariado com a venda em bancas ou de assinaturas.

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