Pegando o gancho no clima olímpico que tomou conta do Brasil nesta semana, eu tive a oportunidade de entrevistar, por e-mail, a jornalista Marlene Gomes. Marlene já passou pelas editorias de Esportes nas redações do Correio Braziliense e Jornal de Brasília. Ela contou, para o blog, um pouco da sua experiência de cobrir os Jogos Olímpicos para o jornal impresso.
Quais eventos esportivos você já fez cobertura jornalística?
Como sempre trabalhei em editorias de esporte, tive a oportunidade de cobrir dezenas de eventos nacionais e internacionais. Entre as principais coberturas internacionais destaco as Olimpíadas de Atlanta, os Jogos Olímpicos Especiais de Inverno, na Áustria, e a Copa Latina de Natação, na Itália, além da Copa do Mundo de Futebol, na Alemanha.
No Brasil cobri diversas modalidades esportivas, o que me deu a chance de estar presente nos mais importantes eventos esportivos do país, como as diversas etapas do mundial de Fórmula 1, da Liga Mundial de Vôlei, do circuito BB de Vôlei de Praia, do mundial de triatlon, do troféu Brasil de natação e de atletismo, e por aí vai…
Como foi cobrir uma olimpíada?
Ser escalado para cobrir uma olimpíada é um prêmio para qualquer profissional. Significa o reconhecimento de sua chefia e dos colegas pelo trabalho que você faz. Quer dizer credibilidade, respeito e ética. Foi uma honra cobrir um evento esportivo com a participação de mais de 10 mil atletas, representando 197 países, como foi em Atlanta.
Você cobriu por qual veículo?
Foi pelo jornal Correio Braziliense.
Como é trabalhar em um evento em que o mundo está voltado para ele?
É um momento especial, mas é também um momento em que o profissional não pode baixar a guarda. As verdadeiras estrelas do espetáculo são os atletas. E os leitores do seu veículo merecem a melhor cobertura possível.
As coisas estão acontecendo o tempo todo e, naturalmente, o editor, juntamente com o repórter, planejará como será a cobertura. A definição da cobertura dependerá do número de profissionais credenciados e dos recursos financeiros disponíveis.
Para Atlanta, definimos que o foco da cobertura seriam as modalidades em que o Brasil tinha chances de medalhas, além da participação dos atletas de Brasília nos Jogos.
Cobrir os Jogos Olímpicos é diferente das outras competições esportivas?
Sim. A olimpíada é o sonho de qualquer atleta. Independentemente de conquista de medalha. Participar de uma olimpíada materializa o cotidiano individual de história de vida do atleta – lutas, desafios, conquistas, emoções e lágrimas de cada um deles. A Olimpíada é um momento mágico – para quem compete, para quem assiste e para quem trabalha. Não tem como não se emocionar.
Os jornalistas enfrentaram alguma privação da organização?
Não. Ao contrário – uma das maiores preocupações da organização é exatamente com a imprensa. É por isso mesmo que os profissionais são credenciados de acordo com a finalidade do veículo, se jornal, rádio ou televisão, e com mais de um ano de antecedência. A credencial é um passe para que o profissional possa fazer a cobertura, para que possa realizar o seu trabalho.
Qual era a maior dificuldade enfrentada na cobertura?
No início dos jogos de Atlanta, o maior problema foi no setor de transportes. Os engarrafamentos dificultavam os deslocamentos de uma arena para outra. Além disso, o sistema planejado para o deslocamento dos profissionais, a partir do Media Press Center, não funcionou. Mas a organização tratou de solucionar o problema o mais breve possível.
Como era o centro de imprensa?
Além do Media Press Center, o centro de imprensa principal, em cada local de competição é montado um mini centro de imprensa, com todas as facilidades para que os profissionais possam fazer o seu trabalho e para que possam enviar o material rapidamente aos seus países. Todas as instalações esportivas são também dotadas de áreas apropriadas para que a imprensa credenciada possa entrevistar os atletas logo depois das competições. E também são programadas coletivas de imprensa.
Você poderia contar algum fato curioso que aconteceu com você nos jogos?
Considero como fatos pitorescos dar entrevista para outros veículos, dar autógrafo ou ser solicitada para tirar fotos com turistas. São situações engraçadas, porque o atleta é que é a estrela dos jogos, mas como também é uma festa de todas as nações, as pessoas acabam querendo uma recordação, nem que seja uma foto com alguém credenciado.
Qual é a dica que você daria para um jornalista que é escalado para cobrir, pela primeira vez, uma olimpíada?
Não tenho nenhuma dica para dar. Estou convencida de que somente os profissionais dedicados e competentes são escalados para cobrir uma olimpíada. Tenho certeza de que são merecedores da confiança de seus editores e dos leitores, e que farão a melhor cobertura possível.