Parceria entre banco e Bandeirantes cria rádio esportiva

O banco Bradesco será o parceiro do Grupo Bandeirantes na rádio voltada para o esporte, que será lançada nos próximos meses. Viabilizado em parceria com o Grupo Bel, o projeto quer cobrir um mercado em ascensão e promissor para os próximos anos, quando o país receberá a Copa do Mundo e as Olimpíadas. A emissora entrará na frequência da recém-extinta Oi FM, nas praças de São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Recife e Belo Horizonte.

Com essa parceria de longo prazo, o banco potencializa os investimentos no universo esportivo. Logo que, entre as suas ações, estão o patrocínio oficial às Olimpíadas de 2016 e das confederações brasileiras de basquete, judô, natação, remo, rúgbi e vela.

Os Homens que Não Amavam as Mulheres e a arte da apuração

Ao estilo de “Todos os Homens do Presidente”, o filme “Os Homens que Não Amavam as Mulheres”, da trilogia Millennium, mostra como é realizado o trabalho de apuração de um repórter. O filme trás em toda trama os princípios jornalísticos, sendo éticos ou não.

O jornalista Mikael Blomkvist, interpretado por Daniel Craig, conhecido pelo personagem 007, e a investigadora Lisbeth Salander, interpretada por Rooney Mara, formam a dupla perfeita para colher informações. A jovem é hacker punk com uma memória fotográfica e uma falta de habilidades sociais, com a veia totalmente digital, e Mikael é um jornalista da velha guarda, com “faro” apurado.

Mas uma vez o cinema norte-americano registra o jornalismo pós-moderno, em que a tecnologia, principalmente a internet, tem um papel primordial na apuração das informações.

Ressurreição dos jornais vespertinos

 

Com os tablets, os leitores podem chegar em casa depois do trabalho e ler uma nova edição do jornal favorito

Dizem as más línguas que a era digital está matando, de forma lenta, o jornalismo impresso. Essa é a transformação natural da vida e da economia. O lado positivo é que algumas coisas estão sendo ressuscitadas. Como as edições vespertinas dos jornais.

Existiu um tempo em que os principais veículos brasileiros produziam duas edições: matutina e vespertina, que chegavam as bancas a partir das 18h. Era a maneira analógica das pessoas se informarem com mais velocidade, no período que não existia internet e nem televisão.

O aplicativo “O Globo a Mas” recém lançado pelo jornal O Globo, exclusivamente para o tablet da Apple, iPad, vem para preencher essa lacuna deixada de lado, principalmente, pelo alto custo.

O jornal carioca foi o primeiro periódico brasileiro a lançar uma edição vespertina para iPad, que trás como atrativo para os leitores, o resumo das notícias do dia.

Dica de série para assistir nas férias

The West Wing

The West Wing

Janeiro é sinônimo de férias. Pelo menos para alguns felizardos e para os estudantes. Viajar, ir ao cinema, ouvir música, ler um livro ou assistir séries na televisão, ou no computador, são algumas das alternativas para preencher os dias ociosos. Que tal aproveitar o ócio e torna-lo criativo? A minha dica é simples, a série The West Wing.

Aqui no Brasil a série se chama “Nos Bastidores do Poder”. Para quem trabalhar, ou pretende trabalhar, em assessoria de imprensa é um grande ensinamento. Ela mostra a rotina dos bastidores da Casa Branca. O foco é a rotina do presidente, que é do partido democrata, e de seus assessores diretos.

A primeira vez que ouvi falar da série foi na faculdade, quando o professor de assessoria de imprensa mostrou alguns episódios em sala de aula. No ano passado, voltei a assistir os episódios. Mesmo sendo uma ficção, os vídeos retratam bem a rotina de uma assessoria de imprensa movimentada.

A trama fica entorno de Sam Seaborn, subdiretor de comunicação, Leo McGarry, chefe de Gabinete, Toby Zigler, diretor de comunicação, Madeline Hampton, consultora política, Josh Lyman, chefe de Madeline e C.J. Creeg, secretária de imprensa. A série foi exibida originalmente pela rede norte-americana NBC, entre 1999 e 2006.

Você pode comprar todas as temporadas no mercado livre.

Relação entre leitor e os veículos de comunicação

O jornalista Eugênio Bucci escreveu um artigo, muito esclarecedor, sobre a relação do leitor com os veículos de comunicação. Seja impresso ou online. Publicado no Estadão, o texto começa com um título provocativo: Caro leitor, você é cliente ou produto?
Para Bucci, não existe conteúdo jornalístico de graça. “Acontece que a gratuidade é mera aparência, ela de fato não existe. Quando a gente não paga nada em dinheiro, paga em olhar.”
Confira um trecho do artigo do jornalista Eugênio Bucci:

“Que a pergunta acima não lhe soe agressiva. Só o que ela pretende é indagar sobre a natureza da relação que cada um de nós mantém com os veículos que nos trazem informações jornalísticas todos os dias. Alguns são aparentemente gratuitos, como as emissoras de televisão aberta. Por outros é preciso pagar uma assinatura ou o preço do exemplar, tanto faz se esse exemplar chegue até nós pelo correio, pelas bancas ou pelos chamados tablets, como o iPad. O cenário é suficientemente óbvio: às vezes, a gente paga pelo que lê; outras vezes, não.

Acontece que a gratuidade é mera aparência, ela de fato não existe. Quando a gente não paga nada em dinheiro, paga em olhar. É aí que, em vez de cliente, a gente vira produto. Pensemos na televisão comercial de sinal aberto. Ela tem um modelo de negócio bastante conhecido: o que a sustenta é a receita de publicidade. A mercadoria essencial do negócio da televisão aberta é o tempo da programação que vende aos anunciantes. Em termos menos abstratos, o que ela comercializa, no fundo, é o olhar de seu público. Seu negócio é atrair olhar – em bom número e de algum poder aquisitivo – para depois vendê-lo aos anunciantes.

Nada de indigno nesse modelo, que é legítimo, legal e democrático. Apenas uma observação: nele o cliente é o anunciante; quanto a nós, o público, bem, somos o produto, somos aquilo que é vendido. Em troca da programação que recebemos da TV, nós a remuneramos com o tempo do nosso olhar que dedicamos aos filmetes de publicidade. Trata-se de um escambo consentido e consagrado. Tudo bem. Assim tem funcionado, de modo eficiente e lucrativo, ao menos até hoje.

Fórmulas híbridas

Pensemos agora na relação de troca que você mantém com seu jornal. A resposta é relativamente simples, embora híbrida. Aqui, você, leitor, é cliente, pois o exemplar que você tem agora nas mãos é pago. Ao mesmo tempo, você é produto, pois há publicidade à sua espera logo ali adiante, nas páginas mais à frente. Esses anunciantes pagaram para ter acesso aos seus olhos, para ter um ou dois segundos da sua atenção. Eles esperam que você, ao tomar conhecimento do que eles estão divulgando, compre algum serviço, alguma coisa. Claro, você tem absoluta consciência da expectativa deles. Estamos, então, falando de um jogo limpo, transparente.”

MediaOn debate papel transformador das redes sociais nas notícias de 2011

O MediaOn (Seminário Internacional de Jornalismo Online) promoveu a sua quinta edição em São Paulo. Neste ano, ficou colocado na mesa a transformação do ciclo da notícia no universo digital, o papel transformador das redes sociais nas notícias de 2011, a revolução digital na indústria cultural e os efeitos na produção e distribuição de conteúdo criativo.

Vale ressaltar que o evento, em todas as suas edições, sempre conta com a presença dos maiores nomes do jornalismo online. Promovido pelo Terra e Itaú Cultural, o seminário contou com a curadoria dos jornalistas Antonio Prada, Fernanda Cerávolo e Jaime Spitzcovsky.

O diretor de tecnologia editorial do portal de blogs noticiosos Huffington Post, Conor White-Sullivan, convocou os blogueiros brasileiros a participarem do projeto, que deve estrear a sua versão brasileira em 2012. “Desejamos ouvir essa voz única que vocês têm. Levamos a vocês um microfone”, disse.

No segundo painel, o editor-executivo da revista Veja, Fabio Altman, e o diretor de redação da Carta Capital, Mino Carta, admitiram que a imprensa brasileira e seus veículos tomam partido na apresentação dos fatos.

Em uma aula de jornalismo, as palavras de Carta fez uma grande reflexão da atual realidade da imprensa brasileira. Para Carta, o jornalismo precisa ser “honesto” ao apresentar os fatos e se posicionar. “Não acredito que a questão central seja o posicionamento político. O que não se pode é ignorar os fatos, mesmo com a posição pessoal. Não é possível é ter a informação e omitir, como acontece”, disse o italiano radicado no Brasil.

Altman concordou com o veterano e acrescentou que é preciso destacar a atuação do profissional de uma possível tendência política do veículo. “O jornalista faz o seu papel, o fato precisa ser contado e ponto final. A tendenciosidade se revela na omissão”, resumiu.

O diretor de Marketing da Nissan, Murilo Moreno, e o diretor de Inovação e Criatividade da Coca-Cola, Gian Martinez, apresentaram estratégias para produzir conteúdos com relevância para ganhar popularidade.

Murilo apresentou o sucesso da estratégia em redes sociais da Nissan no vídeo do “Pônei Maldito”, propaganda mais vista do YouTube no Brasil. Depois do sucesso, a Fan Page da montadora japonesa saltou de 2 mil para 75 mil fãs.

“Conteúdo é muito mais que uma palavra na moda, é uma necessidade de toda e qualquer empresa. É o conteúdo que dá sentido a uma marca”, disse Gian Martinez, da Coca-Cola. O cenário atual, segundo ele, é de absoluta sobre carga de conteúdo. O que vale, na avaliação do publicitário, é priorizar o “conteúdo líquido”, aquele que entra na vida das pessoas.

“Viver como uma água é o sentido para quem produz conteúdo. Pensar em uma ideia que consiga entrar em todas as mídias”, disse Martinez, que acredita na busca das marcas por construir conteúdos relevantes e genuínos. “É conseguir construir coisas que as pessoas achem que é importante para elas”, afirmou.

 

 

Comunique-se lança novo portal e novas ferramentas

 

O Comunique-se reformulou totalmente o seu portal. A recauchutada é comemorativa aos 10 anos da empresa. A página tem novos canais e a maior rede social para os profissionais de jornalismo[bb] do país.

Ao invés de integrar com as redes sociais já consolidadas, a empresa optou em criar a sua rede própria. Ela reúne todos os usuários já cadastrados no portal, mais de 180 mil, com a possibilidade dos internautas compartilharem fotos[bb], vídeos[bb], links e, principalmente, contatos profissionais[bb] com outros jornalistas, que é o grande atrativo do portal.

Outras novidades ficam com os canais banco de empregos[bb], matéria-prima e um espaço para blogueiros[bb] convidados, que abordarão o universo da comunicação corporativa, telejornalismo, humor no jornalismo e esporte.

Produção de vídeo jornalístico ultrapassa de entretenimento na internet

Estudo recente produzido pela empresa Samba Tech (plataforma de vídeos online líder na América Latina e parceira do YouTube no Brasil) revela que 48,82% dos vídeos publicados na web são de notícias e política. O estudo foi feito entre 2010 e 2011 e divulgado pela revista Proxxima, do Grupo Meio & Mensagem. Entretenimento aparece com 13,64%, seguido por esportes, 10,55%.

A pesquisa desmistificou alguns dogmas da internet, como o tempo de duração perfeita para os vídeos onlines. Ao contrário do que se imagina, os internautas acessam mais vídeos longos, com mais de três minutos, do que os vídeos curtos, abaixo desse tempo.

O estudo revelou também que o número de acessos a vídeos é maior nos dias úteis do que nos finais de semana. O estudo também mostra que muitos usuários acessam esses conteúdos do ambiente de trabalho, pois há uma queda acentuada nas visualizações por volta das 18 horas, coincidindo com o fim do horário comercial.

Os veículos de comunicação brasileiros estão inseridos nesse fenômeno de produção de conteúdo jornalístico para a internet. A Associação Nacional de Jornais (ANJ) já avia divulgado uma pesquisa que revelou que o Youtube é a rede social mais usada pelos jornalistas brasileiros, com 89%.

 

Cobrar ou não cobrar? eis a questão

Cobrança online

Um dos maiores mitos que conheço na internet é sobre a cobrança de conteúdo jornalístico. É um verdadeiro dogma para muitas pessoas. É uma relação de amor e ódio. Há quem defenda ou abomina. Existe um ponto que todos concordam. Jornalismo de qualidade requer profissional qualificado, investigação e tempo. Unir todos esses requisitos custa muito caro. Quem vai pagar essa conta? A publicidade[bb]ou osleitores[bb]?

Apesar de não ser um especialista no assunto, hoje eu tenho uma opinião mais madura. Vejo que no futuro teremos junção do conteúdo gratuito, nas notícias do dia a dia, com o conteúdo pago, para as informações exclusivas e mais trabalhadas.

No mercado internacional existem experiências bem sucedidas com essa fórmula. O New York Times utiliza o paywall, que é bem flexível com a cobrança. Qualquer leitor do jornal[bb] pode degustar gratuitamente até 20 textos por mês. Ultrapassando o limite, o leitor pode comprar pacotes que liberam todo o site, ampliando o acesso ao conteúdo em tablets e celulares.

Em entrevista ao jornalista Roberto Dias, editor de Novas Plataformas da Folha de São Paulo[bb], o jornalista Bill Keller, que comandou a implantação do paywall no NYTimes, afirmou que o sistema “está funcionando tão bem quanto a empresa esperava ou melhor”.

Confira um trecho da entrevista com Bill Keller:

Folha – A era da informação totalmente gratuita acabou?

Bill Keller – Não sei se é o final de uma era, mas é certamente o fim de um mito. Os profetas da internet argumentavam que tudo era gratuito e que as pessoas não pagariam por nada, que a informação em todos os seus formatos seria livre.

Mas então apareceu o iTunes e viu-se que as pessoas ainda queriam pagar por música. Desapareceu toda essa noção, que é um eco dos anos 60, de que tudo deveria ser gratuito, que o comércio é de certa maneira ilícito.

É natural que as notícias sigam [esse caminho]. Isso não significa que as pessoas vão pagar por todo tipo de coisa.

Jornalismo de serviço público exige muito tempo e investigação. É preciso ter advogados do seu lado. Jornalismo que exige ir a lugares longínquos e perigosos não estará disponível gratuitamente. Jornalismo muito local, aquele tipo realmente importante de jornalismo sobre o que está acontecendo na sua vizinhança, ou na capital do seu Estado, esse tipo de coisa ninguém está fazendo gratuitamente.

Em uma famosa palestra em 2007, o sr. chamou a internet de elemento de ruptura da imprensa. As coisas mudaram em que sentido desde então?

A internet mudou quase tudo na maneira como colhemos informação, como disseminamos informação e como pagamos pela informação. Ela causou ruptura de uma maneira que é ameaçadora, mas também de algumas maneiras muito boas. Nós agora usamos a internet não apenas para transmitir notícias, mas também para colher informação.

Um exemplo óbvio é o da Primavera Árabe. Se só tivéssemos as mídias sociais, não seria suficiente. Mas as mídias sociais foram muito importantes em dar uma percepção do que estava acontecendo nas ruas. Algumas vezes você não tem como chegar até a rua, ir até o país.

A maneira como apresentamos a informação hoje é totalmente diferente da de dez anos atrás. É mais rápido, mais gráfico, com vídeo e áudio quando achamos que eles acrescentarão algo. Todo mundo fica focado na circulação impressa, mas nós agora temos 40 milhões de usuários únicos. Estamos chegando a mais pessoas.

 

 

Cobertura esportiva na Rede Globo é meramente comercial

O jornalismo esportivo no Brasil é meramente comercial. Tirei essa conclusão depois da primeira transmissão da luta do Ultimate Fighting Championship (UFC) pela Rede Globo. Falo isso, porque até o final do primeiro semestre deste ano, a emissora do Rio de Janeiro ignorava o esporte em seus programas esportivo, na televisão aberta. Mesmo tendo o direito na tv por assinatura, no canal pay-per-view “COMBATE”.

Acompanho o UFC há algum tempo. O canal Combate foi o primeiro no Brasil a fazer a cobertura especial da modalidade. Na tv aberta, todos os créditos vão para a Rede TV!, mesmo sem os direitos de transmitir as lutas ao vivo, a emissora dedica um programa, nas noites de sábado, com as reprises das melhores lutas.

A ganância da emissora carioca foi suscitada depois do sucesso da edição do UFC Rio, quando a RedeTV! transmitiu a luta ao vivo e chegou, até, a liderar a audiência em São Paulo, com 12,8 pontos no Ibope, no momento em que o japonês Yushin Okami foi nocauteado por Anderson  Silva. O evento foi considerado a melhor audiência da RedeTV!, naquele horário.

Questiono até que ponto o jornalismo esportivo praticado na Globo leva os interesses dos telespectadores. Antes da assinatura do contrato de transmissão do UFC, o esporte era considerado violento e inapropriado para a grade horária da emissora. Agora, a coisa mudou. Como eles mesmo dizem: é o esporte que mais cresce no mundo.

O acordo entre a Globo e a empresa que promove o UFC prevê a transmissão exclusiva da programação do evento, com as lutas no Brasil, três no exterior  e da primeira edição brasileira do reality show The Ultimate Fighter.

Voice of San Diego é exemplo de jornalismo online

O sucesso do site Voice of San Diego, da Califórnia (EUA), mostra que o bom jornalismo online deve ser feito de forma totalmente diferente dos modelos engessados do jornalismo impresso.  Isso passa pela maneira de apurar as informações e na forma de contar a história para os leitores.

Com seis anos de existência, o site já recebeu diversos prêmios de jornalismo investigativo e foi escolhido como o melhor jornal local online dos Estados Unidos. Eu também admiro o Voice of San Diego. Primeiro por ser um veículo local. Segundo por ser um veículo sem fins lucrativos, coisa rara no mundo de hoje.

O manual de redação do site reflete o espírito inovador do veículo. Destaco a parte que diz para os jornalistas evitar os jargões jornalísticos. “Escreva uma história como se a estivesse contando para um amigo”.

 

O site do observatório da imprensa publicou alguns pontos do manual de redação do Voice of San Diego:

              1. Em cada reportagem há três itens obrigatórios: contextualização, conhecimento de causa e não se limitar a dizer o que está acontecendo, mas o qual o significado do que está sendo informado.
              2. Não existe objetividade. Cada pessoa, inclusive os repórteres, vê a realidade através de filtros pessoais. Reconheça a diversidade de opiniões e deixe que ela oriente seu trabalho.
              3. O manual afirma que os repórteres não são guiados por identidades politicas ou ideológicas, mas cada decisão que tomam é feita a partir de sua própria subjetividade.
              4. Não existe equilibrio metade/metade. Existe a verdade e temos que fazer todo o possível para chegar até ela.
              5. Na maioria dos casos não existem apenas dois lados do problema, existem muitos e todos merecem tratamento igual. Pergunte-se, sempre, quem não está sendo representado na noticia ou reportagem.
              6. Não faça perguntas em sua reportagem. Dê respostas.
              7. Evite sempre a fórmula, “fulano disse”, “ciclano declarou” . Nós não somos uma página de transcrições.
              8. Se alguém o acusar de tendencioso, não se assuste, também não trate de negar. Pense no problema e responda com convicção.
              9. Não disfarce as suas opiniões pessoais citando outras pessoas.
              10. Siga esta regra: o jornalismo é bom para resolver pequenos problemas e para arranhar grandes questões. Ele nunca foi bom para solucionar grandes problemas.
              11. Não se preocupe em ser furado. O que deve lhe preocupar é o fato de não estar gerando impacto com sua informação.
              12. Não faça como o ratinho do carrossel: correr o tempo todo sem sair do lugar. Não adianta ter pressa só para atender a um deadline.
              13. Evite o jargão jornalístico. Escreva uma história como se a estivesse contando para um amigo numa mesa de bar.
              14. Nós não fazemos jornalismo por dinheiro. Nosso trabalho tem que ser prazeroso.

                Refúgio de Canalhas

                Autor Theófilo Silva

                 

                “Quem é Charles Augustus Milverton, Holmes? O maior canalha de Londres, Watson”, responde Sherlock Holmes. O maior detetive de todos os tempos não economizou no adjetivo ao qualificar o sujeito, cuja ocupação era achacar pessoas honradas.

                Chamo também de canalhas, aqueles que maculam a honra alheia plantando mentiras em veículos de comunicação. A pistolagem moderna – mesmo que ainda existam pistoleiros – chama-se reportagem caluniosa, uma matéria jornalística, imputando um crime a alguém, sem nenhuma prova material. É de pensar que esses textos são feitos apenas por crápulas que escrevem em Blogs de aluguel. Mas não é. A prática está disseminada em grandes veículos de comunicação, que estão rompendo com as mais elementares regras do jornalismo. Não estou me referindo ao caso do ministro dos esportes, nem sobre comentários de leitores em artigos e matérias em geral.

                Falo dos órgãos de imprensa que estão entrando no mesmo nível de marginalidade dos adversários que combatem; usando os mesmos métodos vergonhosos de seus acusados; a mesma prática suja dos homens públicos envolvidos em falcatruas, e isso é muito ruim. Governo é para apanhar. A imprensa tem que fiscalizar, escarafunchar, desmascarar, bater mesmo. Outra coisa é colocar pessoas honradas no mesmo saco dos sujos, imputando-lhes crimes para atingir outrem. Essa prática é mercenária.

                Ninguém é ingênuo, ao ponto de pensar que órgãos de imprensa e jornalistas não têm lado e que, a verdade não seja sacrificada em nome de interesses, sejam eles quais forem. Mesmo nos EUA e Inglaterra, a imprensa age assim. O velho inescrupuloso, Rupert Murdoch, dono de um império de comunicações, é prova disso. A diferença é que, nesses países, a justiça funciona, e os caluniadores pagam caro por suas canalhices.

                Costumo dizer em rodas de conversa, debatendo nossos problemas, que, no Brasil, você gira, gira, discutindo coisas e, no final, conclui que nossas desgraças são causadas pela ineficiência do nosso estado de direito. Nossa justiça é ruim, muito ruim. Não temos como deter a corrupção no Brasil, em suas múltiplas formas, se não punirmos as pessoas. A Inglaterra deu certo por isso, e a Grécia está agonizando por que é corrupta.

                Difamadores de aluguel sempre existiram, jornais venais também. Há cinco séculos, um caluniador chamado Aretino vendia sua verve a quem pagasse mais. Era contratado por nobres para destruir a reputação de seus inimigos, com seus panfletos difamatórios. Aretino chegou a ser apunhalado e espancado por suas vítimas, várias vezes.

                A imprensa é livre e deve permanecer assim. Tudo que for visto de errado deve ser denunciado, principalmente na esfera pública. Mas o que fazer com os caluniadores e defensores de bandidos, contratados para espalhar mentiras, escondidos nas redações? Infelizmente, o refúgio para esses canalhas, como diria o Dr. Johnson, no Brasil, é o poder judiciário, que, na sua incompetência, não os pune como deveria.

                Que ninguém pense que estou atacando o trabalho fiscalizador da imprensa séria. Do mesmo jeito que bato em homens públicos corruptos, todas as semanas, neste espaço, é meu dever também acusar o jornalismo nefasto.

                Shakespeare nos disse em Medida por Medida: “Nem a grandeza, nem o poder, neste mundo mortal, podem escapar da calúnia que fere pelas costas e ataca a mais branca das virtudes.”. E pergunta: “Que Rei é bastante poderoso para conter o fel de uma língua caluniadora?”. A resposta é, nenhum!

                No passado, os ofendidos defendiam sua honra em duelos com pistolas, mas a lei proibiu a prática. Hoje, apenas os caluniadores podem usar pistolas e atirar pelas costas. No Brasil, a justiça garante!

                 

                Videorreportagem no Brasil

                Em 2008, produzi um manual do videorreporter como trabalho de conclusão do curso, na faculdade de jornalismo. Até aquele momento, a linguagem da videorreportagem começava a ter adeptos entre os veículos de comunicações tradicionais e na internet.

                Infelizmente, nesses três anos que se passaram poucas coisas mudaram na quantidade de repórteres que produzem informações utilizando a linguagem, pelo menos aqui no Brasil.

                Hoje, o cenário nunca esteve tão favorável para a linguagem jornalística. Celulares com câmeras de alta tecnologia, aumento da velocidade e do acesso a internet móvel, amadurecimento dos sites que hospedam vídeos e câmeras filmadoras de alta definição com preços acessíveis.

                Eu sou um entusiasta da linguagem. Na elaboração do manual eu tive que resgatar a história das primeiras iniciativas brasileiras que utilizavam o chamado repórter abelha. Segue um vídeo muito interessante do cineasta Fernando Meirelles falando sobre a entrada do repórter abelha na televisão brasileira.

                 

                Facebook estimula o uso da plataforma na elaboração de notícias por jornalistas

                Para o Facebook, a prática do jornalismo sempre esteve interligada com o site, por ser basicamente um jornal social. A primeira iniciativa direta da empresa foi uma página exclusiva para os profissionais de comunicação. Agora, a rede social começou a focar também os estudantes de jornalismo.

                O responsável pela área de jornalismo do Facebook, Vadim Lavrusik, está incentivando os professores de jornalismo a inserirem no currículo dos cursos o uso da ferramenta para elaboração das notícias.

                Vadim elaborou um documento para servir de ponto de partida para os professores que se interessarem em oferecer uma introdução sobre o uso do Facebook nas notícias.