Para entender o WikiLeaks

Os maiores furos jornalísticos do planeta, nos últimos anos, não foram produzidos pelas grandes empresas de mídia e sim pelo site fundado por Julian Assange, WikiLeaks.org. A página pertence a uma organização sem fins lucrativos sediada na Suécia, que vem chamando a atenção do planeta, principalmente dos governos e das ditaduras.

Para o WikiLeaks não existem informações sigilosas de governos e empresas. A fonte das informações envia os documentos ao Wikileaks, tendo como garantia a identidade mantida em sigilo, e as informações são publicadas no site e enviadas aos principais jornais dos Estados Unidos.

Para tal atividade tem que ter coragem e arcar com as conseqüências. Tanto que Assange virou um dos homens mais procurados pela Interpol. A acusação é por envolvimento em estupro, assédio sexual e coerção ilegal. Que na realidade, podemos interpretar de outra maneira.

Assange sempre negou as acusações, afirmando que fazem parte de uma “campanha caluniosa” para desprestigiar o site, que antes havia publicado centenas de milhares de documentos confidenciais.

A repercussão do último vazamento foi tanta que o governo da China bloqueou hoje o acesso ao site WikiLeaks. A equipe de Assange conta com jornalistas, matemáticos e dissidentes chineses responsáveis por fazer uma checagem inicial das dezenas de documentos sigilosos e denúncias que chegam ao site.

O editor-chefe de conteúdo digital do Estadão.com.br, Pedro Dória, escreveu um artigo que contextualiza o pensamento da livre circulação de informações na internet. WikiLeaks é muito mais do que um site de documentos sigilosos. É uma cultura da era da internet.

Texto do editor-chefe de conteúdo digital do Estadão.com.br, Pedro Dória, publicado no Estadão.


“O WikiLeaks pode até sair do ar, mas outros sites do tipo surgirão

O WikiLeaks não vai embora. Em parte, a secretária de Estado Hillary Clinton tem razão: é perigoso que informação confidencial seja divulgada. Atrapalha acordos diplomáticos delicados. A vida de pessoas pode ser posta em risco. Mas não se trata de quem tem razão ou não. Mesmo que o WikiLeaks saia do ar, daqui para a frente este tipo de site sempre existirá.

É a natureza da internet. Agora, quem está sentindo o impacto são governos e empresas. Antes, eram gravadoras, estúdios de cinema, empresas de mídia. Quem precisa controlar acesso a informação, seja para cobrar, seja para esconder, tem um problema com a rede. Ela, por natureza, copia e distribui informação com facilidade.

A internet foi construída para isso e nesses moldes porque foi inventada por cientistas. Na academia, compartilhar informação é fundamental para o avanço do conhecimento. Na diplomacia, esconder informação é parte do jogo. A rede inaugura um novo mundo, mais transparente, com acesso amplo e barato à informação. Há vantagens. A corrupção ficará cada vez mais difícil. Mas nossas vidas estão mais expostas. E segredos de Estado, fundamentais até mesmo para garantir a segurança de todos, serão revelados com mais frequência. Não podemos decidir desligar a rede. O mundo mudou. Estamos apenas começando a aprender a lidar com ele.”



Aposentadoria de Larry King. O rei da entrevista.

Está chegando a hora. O jornalista norte-americano Lawrence Harvey Zeiger, conhecido mundialmente por Larry King, 77 anos, vai pendurar as chuteiras. Para Larry a melhor expressão seria pendurar os suspensórios. Há 25 anos à frente do programa “Larry King Live”, no canal CNN, o apresentador já confirmou que deixará a TV a partir do dia 16 de dezembro.

King fez mais de 40 mil entrevistas em seus 50 anos de carreira. Experiência é que não falta para o jornalista. O jornalista Elio Gaspari escreveu um artigo sobre Larry, intitulado “Parece Fácil”. O texto foi publicado na edição de dezembro de 2010 da revista Serafina, do jornal Folha de São Paulo. Muito bom. Segue o artigo para degustação.

Parece fácil

Por Elio Gaspari

Larry King, o historiador inglês Eric Hobsbawn e o ator Fred Astaire têm um ponto em comum. Quando perguntaram a Astaire qual era o segredo de sua dança, ele respondeu: “Tem que parecer que é fácil.”

Quem vê uma entrevista de King ou lê um capítulo de Hobsbawn fica com a sensação de que, com um pouco de esforço, poderia fazer igual. No caso de Astaire a coisa é mais complicada, fica-se com a impressão de que, para ele, aquilo foi fácil.

Larry King está saindo de cena sem que se saiba a sua opinião a respeito de coisa alguma. Esse é o maior triunfo de um entrevistador. Seu programa chama-se “Larry King ao Vivo”. Como diz o Boni, criador do padrão da TV Globo, “quem sabe, faz ao vivo”.

Em 25 anos de entrevistas diárias, poucos foram os casos em que parecia não saber do que estava falando. Ele diz que nunca se preparou para uma entrevista. Pode ser.

Dois detalhes da cena de Larry King ficam como uma lição de um jornalista que virou celebridade, mas procurou demarcar a distância entre ele, um profissional da curiosidade, e o convidado. King sempre está sem paletó, com as mangas da camisa arregaçadas, coisa de quem está trabalhando. Entre ele e o entrevistado sempre há um enorme microfone dos anos 50, inteiramente inútil, porém essencial para que o espectador veja que aquilo não é um bate-papo de notáveis.

Talvez o seu segredo tenha sido estabelecer-se numa posição em que não aparece como um confrontador, nem como um levantador de bola para o convidado. Parece fácil.

The Washigton Post gratuito no iPad

Quando a Apple lançou o iPad muitos jornalistas depositaram toda confiança no tablet que seria o messias da mídia. O aparelho iria salvar a indústria da comunicação. Porque as empresas tem a possibilidade de vender os aplicativos com os conteúdos, deixando de depender somente da publicidade. Algo parecido com o que o iTunes fez com a indústria fonográfica.

Mais a realidade mostrou outra coisa. O site de mídia e tecnologia Business Insider fez uma pesquisa com usuários de iPad que revelou que, dos entrevistados, 37% preferem acessar notícias no tablets por meio do navegador e 34,7% via aplicativos.

Agora, o jornal norte-americano, The Washington Post, lançou um aplicativo gratuito para o iPad. Veja o vídeo:

Mediaon debateu os novos caminhos do jornalismo

Terminou nesta quinta-feira (11), em São Paulo, o 4º Seminário Internacional de Jornalismo online, Mediaon 10. Acompanhei as palestras pela internet. Foram oito painéis desde a última terça-feira (09/11). Veja a relação das feras escaladas para essa edição.

O evento já se tornou referência para quem acompanha as novidades do mercado da informação online. Vale parabenizar os realizadores, Terra e Itaú Cultura, que reuniram tantas pessoas criativas e inovadoras.

O seminário é um dos principais fóruns de debates sobre jornalismo digital e novas mídias do país e tem o apoio do governo federal, por meio da Lei de Incentivo a Cultura, e das redes de televião BBC e CNN.

O tema deste ano foi “os novos caminhos do jornalismo: o que a audiência quer consumir e como?”. Os debates contaram com a presença de representantes de veículos brasileiros, da América Latina, Europa e Estados Unidos.

A abertura foi conduzida por Aron Pilhofer, editor de interactive news do New York Times e gestor da equipe de jornalistas responsável pelos aplicativos do jornal, e pela Susan Grant, vice-presidente executiva da CNN News Services – divisão da CNN WorldWide que engloba as atividades digitais da empresa e seus negócios com afiliados. Eles falaram o que como os gigantes da mídia mantém o espírito de inovação na era da internet.

Aron disse que com as novas tecnologias, um velho chavão do jornalismo deve ser aposentado. “Aquela história de ‘adoro escrever, quero ser um jornalista’ está com os dias contados. Na web, todo mundo empresta de todo mundo. E tem muita coisa interessante sendo feita, que envolve muito mais do que o texto”, disse.

Ele também reconheceu que o New York Times ainda não chegou a um consenso sobre a melhor forma de utilizar as mídias sociais. “Honestamente, acho que não sabemos fazer isso. Usamos o Facebook e o Twitter como forma de disseminar as notícias”.

Os jornalistas concordaram a narrativa em texto está perdendo espaço na internet para novas plataformas que possam contar a mesma história em movimento. De acordo com Susan, a capacidade de integração de conteúdos para contar histórias com outras nuances, que não sejam só o texto, deverá permear os projetos nos próximos anos.

Pilhofer afirmou que para sobreviver nesse mercado competitivo da mídia digital é preciso ter uma visão muito mais ampla do que a dos concorrentes. “Temos de observar as novas plataformas que estão disponíveis. É uma questão de envolvimento, de experiência, de estar online. Não basta apenas replicar o que está no papel”, afirmou.

Estes e outros assuntos interessantes foram debatidos no evento. Se você quiser investir seu tempo, acesse e assista as palestras no site do Mediaon.

Brasileira no Times

Trabalhar neste prédio é o sonho de nove entre dez jornalistas no mundo. Uma brasileira conseguiu. Ela é Jornalista? Não. Publicitária. A colaboradora do blog Novo em Folha, Lanna, entrevistou por e-mail a baiana Fernanda Santos, 37, a única repórter brasileira a trabalhar em um dos maiores jornais do mundo.

Fernanda começou no jornalismo trabalhando em uma revista corporativa, quando resolveu ir para os Estados Unidos cursar mestrado de jornalismo impresso na Boston University em 1998-1999. Segue além do texto do blog, uma entrevista em vídeo à revista Imprensa. Vale à pena assistir e ler. Uma história inspiradora.

Entrevista publicada no Blog Novo em Folha:

Lanna Morais, para o Novo em Folha – Qual a sua idade? Onde se formou em jornalismo?

Fernanda Santos – Tenho 37 anos e não me formei em jornalismo, mas em publicidade, pela PUC-RJ. Entrei para a faculdade com planos de estudar jornalismo, mas acabei fazendo mais amigos entre os que iriam estudar publicidade e concluí – erroneamente, mas só mais tarde fui descobrir isso – que a redação publicitária poderia me satisfazer tanto quanto a redação jornalística. Por essa razão, nunca pude ser efetivada em nenhum jornal no Brasil. Acabei trabalhando como estagiária em um pequeno jornal no Rio de Janeiro, mas ganhei a vida como redatora de uma revista de comunicação empresarial, um emprego que me proporcionou viajar por partes do Brasil que nunca havia imaginado conhecer e a países da América Latina que nunca havia aspirado visitar.

Cheguei a pensar a voltar à faculdade para concluir os créditos que me permitiriam ser formalmente chamada de repórter, mas achei perda de tempo. Decidi então tentar o mestrado no exterior e foi assim que acabei vindo para os Estados Unidos, onde cursei o mestrado de jornalismo impresso na Boston University em 1998-1999.

NF – Ainda na faculdade você já tinha em mente a área que mais gostaria de cobrir?

FS – Parte dessa resposta está acima, mas queria acrescentar uma coisa importante, que é o que mais me fascinou – e me fascina – no trabalho de jornalista: a licença que temos para penetrar mundos alheios, mundos secretos, vidas privadas, e assim revelar para os leitores como vivem essas pessoas, o que lhes incomoda/afeta/entristece/alegra. Vejo o jornalista como uma espécie de intérprete, cuja funcão é de aprender, digerir e relatar os assuntos e acontecimentos que presencia. Como saberíamos sobre o resgate dos mineiros no Chile? Como saberíamos sobre a opressão aos grupos de oposição política no Irã? Ou sobre os estragos da enchente no Nordeste, ou os efeitos da seca na mesma região? Como é que uma pessoa de classe média que mora em um grande centro urbano poderia entender a dinâmica da vida no morro? Enfim, sem o jornalista, não sei se a gente ligaria tanto pelo que se passa fora da bolha que habitamos nessa grande bola que é o planeta Terra.

NF – Quando ainda estava na universidade tinha o NYT como objetivo? Você está no jornal há quanto tempo?

FS – Nunca sonhei em trabalhar no New York Times quando estava no Brasil nem cheguei a sonhar em trabalhar no New York Times até um ou dois anos antes de vir trabalhar aqui. Sempre fui muito realista e sempre estive ciente da profundidade e alcance do meu talento. Nunca tentei dar passo maior do que as minhas pernas. Arriscar é importante, mas sou partidária do risco responsável. Quando contactei o NYT pela primeira vez, sabia que o conjunto do meu trabalho era abrangente o suficiente, e tinha suficiente qualidade, para competir com os trabalhos dos muitos outros jornalistas que queriam trabalhar no jornal.

Minha trajetória aqui foi clássica. Comecei em um jornal pequeno, cobrindo duas cidadezinhas no oeste do Massachusetts. Depois mudei para um jornal um pouco maior, em outra parte do estado. De lá vim para Nova York, para trabalhar como repórter no Daily News, onde cheguei recomendada por jornalistas que conheci durante a minha cobertura do 11 de setembro em Nova York; estava visitando amigos na cidade nessa data e acabei ficando para fazer reportagens. A conversa com o NYT começou depois que um dos seus repórteres elogiou uma matéria minha e mencionou o meu nome para a caça-talentos do jornal. Foi um namoro longo, que me levou a sair do Daily News e passar uns meses fazendo reportagens na Colômbia, como freelancer, para poder provar que podia escrever matérias longas e escrevê-las bem. (O Daily News tem formato tablóide, portanto suas matérias são  bem mais curtas que as do NYT.)

Fui contratada em setembro de 2005, portanto estou no NYT há 5 anos.

NF – Muitos jornalistas gostariam fazer fazer carreira internacional. Como você conseguiu a vaga de repórter do NYT?  Você enxerga muita diferença entre o ambiente de trabalho do Brasil e dos EUA?

FS – Me pergunto por que tantos brasileiros querem trabalhar para meios estrangeiros, pois penso que seria muito legal trabalhar para um meio brasileiro no exterior. Eu adoraria voltar para o Brasil. O país é tão rico em histórias, tão cheio de pessoas fascinantes, de dramas de quebrar o coração e também de incríveis sucessos e vitórias.

Não sei se a redação daqui é diferente da redação daí. Nunca trabalhei em uma redação de jornal brasileiro.

Vim para cá para fazer o mestrado e o meu objetivo era de voltar e tentar usar o diploma do mestrado para obter a equivalência e sair buscando trabalho em jornais daí. Um dos meus professores na Boston University me disse que, como estudante estrangeira, tinha direito a um visto de trabalho de 1 ano para trabalhar na área que estava estudando. Achei que deveria aproveitar a oportunidade e ganhar experiência prática, então fui a uma conferência de jornalismo e conheci alguns editores de jornais, até que um me ofereceu um estágio de 3 meses e me efetivou no final. Nesse meio tempo, conheci o meu marido, que era jornalista na época (hoje trabalha em relações públicas). Me apaixonei, casei e nunca mais voltei. Estou casada há 10 anos e tenho uma filha de 1 ano e 4 meses, a Flora, que já fala palavrinhas em português, inglês e espanhol (sua babá é colombiana).

NF – Você cobre qual editoria?

FS – Escrevo para a editoria Metro, que cobre primeiramente Nova York, mas também Nova Jersey e Connecticut.

NF – Você escreve textos extensos em um inglês impecável. Como aprendeu?

FS – Essa é uma pergunta que não sei responder. Aprendi inglês em cursinho no Rio, mas aprendi mesmo depois que mudei para os EUA. Li e leio muito para adquirir fluência. No começo acho que era claro para quem lia as minhas matérias que inglês não era o meu idioma nativo. Ainda não me sinto 100% e acho que nunca me sentirei, mas funciono bem nas duas línguas, e também no espanhol, que sou fluente. Aprender a escrever em outro idioma não é fácil, mas não é tão difícil se você se dedicar e for humilde. Eu nunca me senti ofendida quando um amigo, um editor ou mesmo o meu marido, que é americano, me corrigiam (e corrigem ainda). Pelo contrário: faço questão que as pessoas me digam se eu não falei algo bem.

O inglês é um idioma que adoro, muito gostoso para escrever, mas acho o português ainda mais rico.

NF – Atualmente você está no ar no Brasil por meio do Globo News em Pauta, programa da Globo News. Na sua opinião, é muito diferente escrever para o público do Brasil e dos EUA?

FS – A diferença principal é o idioma e confesso que é uma delícia poder escrever e falar português profissionalmente. Tinha saudades disso.

NF – Como surgiu o convite para colaborar com o Globo News em Pauta? Como concilia a TV com o trabalho no NYT?

FS – É uma loucura para conciliar os dois trabalhos, principalmente quando estou em deadline e ainda mais agora que o programa começa mais cedo por aqui, por conta do início do horário de verão no Brasil. Vai ser ainda pior em novembro, com o fim do horário de verão em NY, mas vamos lá! Vou levando até que dê. Normalmente, eu me maqueio no metrô, onde é também onde leio o material que coletei para me preparar para o programa. A correria é enorme, mas adoro ter essa conexão com o meu país.

Eu recebi uma ligação de um dos produtores da Globo por aqui, me convidando para uma conversa. Não sei como chegaram a mim, mas sei que sabiam que eu era brasileira e imagino que tenham achado interessante ter uma brasileira que é repórter do NYT como comentarista do Em Pauta.

NF – Com o fim da versão impressa do Jornal do Brasil a questão do desaparecimento do jornalismo de papel preocupa alguns e corrobora teses de outros. Na sua opinião, haverá uma integração mais ampla entre as plataformas impresso e online ou o jornal impresso está em contagem regressiva para seu fim?

FS – Acho que as publicações impressas acabarão um dia, mas o jornalismo não, portanto o estudante não deve se preocupar e sim tentar cada vez mais aprender a ser jornalista usando as tecnologias disponíveis – programas de edição de blogs, audio e vídeo para Web, etc. O jornalista do futuro será um jornalista multimídia. A ideia de jornalista como o profissional que escreve para jornal é ultrapassada.

NF -  Na sua opinião, o que é preciso para ser jornalista e que características são essenciais para exercer a profissão? Que conselho você deixa para estudantes de jornalismo e recém formados que também desejam fazer carreira internacional?

FS – Prática e humildade. Vou explicar. Ler é bom, principalmente se a leitura é de matérias escritas por outros jornalistas – em revistas literárias, como a Piauí e a New Yorker; em revistas de notícias, como a Veja e a The Economist; em blogs, como o Huffington Post e Politico; e em jornais. Aconselho a ler um pouco de tudo, incluindo publicações cuja linha editorial o leitor não esteja de acordo. Sempre digo que para discordar com eficiência, o jornalista tem que saber como pensa o outro lado do debate, a outra facção. Discordar gritando é coisa de gente desinformada. Leia, por exemplo, os editorias do NYT e do Wall Street Journal para ver como duas das mais respeitadas publicações do mundo abordam o mesmo assunto de maneira totalmente diferente.

Acho o curso de jornalismo no Brasil, no geral, muito teórico. Jornalismo se aprende na prática, portanto trabalhe para o jornal da faculdade, faça estágios, escreva artigos freelancer mesmo que seja para o jornalzinho do seu bairro. Isso vai lhe dando experiência e lhe proporciona também colecionar clippings que você pode mostrar para um editor quando estiver procurando emprego.

Humildade é essencial porque mesmo quando você estiver entrevistando um analfabeto, pobre, desempregado, morador de favela, você não pode se esquecer de que essa é a pessoa que tem uma história para contar. Se você fosse melhor que ela, não estaria ali. Uma das coisas mais sensacionais do jornalismo é que nos mostra que, no fundo, no fundo, somos todos iguais.

Nova revista de negócios voltada ao mercado de Brasília. Sólida Management & Business

Participei ontem, na livraria Café com Letras em Brasília, do lançamento da primeira edição da revista Sólida Management & Business. A publicação é voltada para o mundo dos negócios, mercado pouco explorado na capital. Mercado e finanças, investimento, desenvolvimento sustentável e carreira, são algumas editorias da revista.

Nesta edição, sou um dos colaboradores. Escrevi um artigo para a coluna Conectado. Um espaço para discutir opiniões e informações sobre tecnologia, comunicação e rede social.

O meu primeiro artigo foi sobre os livros digitais e o e-book da Positivo. Vou compartilhar com você o texto publicado na íntegra.

Livros agora só digitais

Há pouco tempo era difícil guardar 1,5 mil livros em casa. Faltava espaço físico e a organização era complexa. Pensar em levar a biblioteca pessoal para todo lugar, era impossível. Isso até a chegada dos e-books (e-readers), leitores de livros digitais.

Os aparelhos digitais de livros não são coisas somente de estrangeiros. O Brasil também tem o seu representante no seguimento dos e-books. A fabricante de computadores Positivo entrou na briga do mercado que mais cresce no mundo, com o e-book Alfa, com nome em referência ao alfabeto. Cabendo no bolso do paletó, o aparelho vem com tela sensível ao toque, 8,9 milímetros de espessura e 240 gramas de peso.

A proposta da Positivo é diferente da dos concorrentes, com o sistema aberto, o e-book permite que os usuários possam comprar livros brasileiros das várias livrarias que já vendem produtos digitais.

Com a tecnologia e-paper, o Positivo Alfa proporciona a mesma sensação de ler um livro impresso. A bateria é programada para 10 mil mudanças de páginas e a memória é de 2 GB expansíveis, comportando cerca de 1,5 mil livros, possivelmente mais que todos os livros que você vai ler durante toda vida.

O e-book também é o primeiro com tela sensível ao toque e com dicionário Aurélio integrado, o que facilita a consulta ao “pai dos burros” na hora da leitura. Para ter toda essa tecnologia, os brasileiros devem desembolsar, ou investir dependendo do ponto de vista, entre R$ 600 a R$ 750.

A Livraria Cultura foi a primeira a disponibilizar o produto para venda, com um lançamento fora do normal, que esgotou o estoque em uma semana.

A vinda do Alfa ao mercado brasileiro faz com que as livrarias e as editoras invistam nos livros digitais, da mesma maneira como fez a loja de livros online da Amazon, nos Estados Unidos, quando lançaram o Kindle, em 2007.

No Natal do ano passado, a Amazon vendeu mais livros digitais do que impressos, pela primeira vez na história. Mas o mercado brasileiro tem muito a crescer. Até o final de 2010, teremos somente cerca de cinco mil títulos em português adaptados para e-book. Já em inglês, o acervo é de mais de 400 mil títulos.

O mercado de livros digitais é lucrativo para as editoras e para os leitores. Para se ter uma ideia, o preço de um e-book fica em torno de 30% inferior a mesma edição impressa do livro. Para 2011, a expectativa é que o mercado de livros digitais lucre mais de R$ 12 milhões.

Capas de edições históricas da Folha estão à venda para os leitores

O jornal Folha de São Paulo está disponibilizando, para compra, as capas de quase 90 anos de jornal. O principal atrativo são as edições com valor afetivo ou de momentos históricos. Os preços ficam de R$ 4,90 (capa + frete para assinantes) e de R$ 6,90 (capa + frete não assinantes), com pagamentos com cartão de crédito, débito ou boleto. Também poderá ser adquirida pelo telefone (11) 3224-3090.

Segundo a gerente de vendas e fidelização da Folha, Silvia Franco, 34, até o momento, as capas mais vendidas três sido as do ataque de 11 de setembro de 2001, da morte de Ayrton Senna (de 2 de maio de 1994) e do incêndio do edifício Joelma (de 2 de fevereiro de 1974).

As capas serão enviadas impressas em papel especial em formato de pôster (44 x 30 cm), entregues dentro de um canudo para não ser amassada.

Jornalismo na visão do José Hamilton Ribeiro

Para fazer reportagem, um jornalista precisa de formação e vocação. Se o camarada não ler, não estudar, não estiver ligado no mundo, se não souber coisas básicas de história da arte, da história da ciência, como vai ser jornalista?

E tem a vocação, o perfil psicológico muito definido, como outro requisito. Em jornalismo, existe uma condição básica. Informação é poder. Nas outras profissões, a pessoa que tem informações as segura para si. O jornalista, não. É generoso, quer dar. O gosto do jornalista é contar para os outros. É a psicologia do furo.

Entrevista do jornalista José Hamilton Ribeiro para a revista Carta Capital.