Marketing esportivo na construção de uma marca


É impossível falar de marketing esportivo sem citar a experiência da Red Bull. Assim, dois professores do Boston College, S. Adam Brasel e James Gips, produziram uma pesquisa para saber a real influência da associação de uma marca as atividades esportivas. O resultado mostrou que a Red Bull[bb] conseguiu algo com valor incalculável para a sua marca com as ações que vem produzindo. A pesquisa revelou também que a simples presença do logo da marca já pode influenciar os consumidores e até os atletas a se sentirem com mais poder.

Os professores utilizaram alguns games de automobilismo para fazerem os testes. Ficou constatado que quando os usuários pilotavam um carro com as cores e logo da Red Bull eles agiam de forma diferente do que quando faziam a mesma simulação em carros com a mesma configuração, porém sem a marca ou de concorrentes.

Assim, ficou provado que a fabricante de energéticos estava conseguindo transmitir a “filosofia” da marca, Red Bull te dá asas, com a mensagem de velocidade e poder.  Segundo o blog jogo de negócios, mais do que aumentar as vendas, as campanhas criaram até um novo perfil de comportamento no consumidor. No site Brandtags, que mede valores ligados a cada marca, as palavras velocidade, poder e imprudência, por exemplo, aparecerem dez vezes mais para a Red Bull do que quando comparado com outras 14 marcas de bebida mais conhecidas.

Vitória de uma marca – Red Bull

A equipe de Fórmula 1 Red Bull Racing foi a grande vencedora da temporada 2010 da maior categoria do automobilismo mundial. Conquistou o título de construtores e de melhor piloto, com o alemão Sebastian Vettel, que aos 23 anos se tornou o piloto mais jovem a erguer um troféu da categoria.

A vitória da Red Bull é também do marketing esportivo. Eu nunca tinha visto uma marca com exposição tão grande. A Rede Bull é uma das empresas que mais investe dinheiro em esporte, mesmo não sendo uma companhia que depende da atividade para sobreviver.

Fundada pelo empresário austríaco, Dietrich Mateschitz, em 1987, a Red Bull se tornou uma empresa bilionário. Em 2004, o empresário entrou na Fórmula 1 ao comprar a equipe Jaguar Racing, da Ford. Assim, batizou a nova equipe como Red Bull Racing. Dietrich gostou tanto de ter uma equipe, que um ano depois, também comprou a Minardi, em conjunto com o ex-piloto Gerhard Berger. A segunda equipe se chama Scuderia Toro Rosso (Touro Vermelho em português). Ele também possui uma equipe na NASCAR chamada Red Bull Racing Team.

Dietrich Mateschitz

Como toda bela história tem que ter um vilão, na temporada 2010 esse papel ficou com a Ferrari. Com uma atitude anti-desportiva, a equipe italiana utilizou de manobras para favorecer a conquista do Alonso, solicitando que o brasileiro Felipe Massa desce passagem para o espanhol chegar na primeira colocação.

Com o fim da temporada, a Red Bull poderia ter utilizado do mesmo artifício para garantir, antecipadamente, o campeonato para um dos seus pilotos. Para preservar a marca da empresa, o dono da Red Bull não permitiu que a equipe favorecesse o piloto Mark Webber na conquista do campeonato, o que possibilitou a vitória do seu companheiro de equipe Vettel. Se a equipe fizesse o mesmo jogo da Ferrari, favorecendo um dos pilotos, possivelmente o campeonato estaria agora nas mãos do Alonso, pela soma geral dos pontos. Vettel não teria ponto suficiente para ganhar do espanhol.

Na ocasião Dietrich disse: “Prevejo um final de campeonato igual a um filme de Hollywood. No pior dos cenários, nós ficamos sem o título, mas tudo bem, ganharemos no ano que vem. Nossa filosofia permanece a mesma porque isso é um esporte e deve permanecer como esporte”.

Essa é uma aula para as empresas que pretendem investir em esporte, em que o dinheiro não pode significa tudo.

O blogueiro do portal Uol, Erich Beting, que escreve sobre marketing esportivo, escreveu sobre a atitude da Red Bull que “por mais dinheiro envolvido, por maior retorno financeiro que você tenha com um título, nenhum marketing é melhor do que manter a condição de disputa em pé de igualdade, vencendo, no final das contas, aquele que foi mais bem preparado para isso. Essa é a essência do esporte.”

Na contramão do desenvolvimento do marketing esportivo, a TV Globo insiste em não falar o nome das empresas patrocinadoras. Na transmissão da temporada de Fórmula 1, a equipe do Galvão Bueno abreviou o nome da Red Bull Racing para RBR e da Scuderia Toro Rosso para STR. Isso para não falar o nome do energético.

Um grande equivoco, porque as imagens dos touros onipresentes nos carros  diz muito mais do que os comentários dos locutores.  Mesmo assim, esse tipo de atitude desleal da emissora reflete aqui no Brasil, porque dificulta o investimento privado para o desenvolvimento do esporte nacional.

A Red Bull sempre investiu em diversos esportes, até naqueles considerados “sem mídia”. No futebol, ela mantém duas equipes: uma na Áustria, o Red Bull Salzburg, e outra nos EUA, o Red Bull New York, e recentemente criou um clube na cidade de São Paulo, que se chama Red Bull Brasil. Patrocina as corridas de pequenos aviões: a Red Bull Air Race e a Red Bull Soapbox, corrida de carros de rolimã fantasiados e competições de bicicletas como Red Bull Rampage, Red Bull Empire Of Dirt, Red Bull Elevation, entre outras ações promocionais.

Investir em esporte vale à pena.

Sorria é um exemplo de revista social no Brasil

Gostaria de compartilhar com você este vídeo sobre a parceria inovadora entre a Revista (social) Sorria e a GRAACC (Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer). O vídeo foi uma palestra, em 2009, apresentada pela Roberta Faria no TEDxSP. Eles criaram um modelo de negócio para viabilizar um projeto de uma revista segmentada e, ao mesmo tempo, ajudar a instituição financeiramente.

Lançada em março de 2008, ela tem seu preço de capa – 2,50 reais – 100% doado, descontados os impostos, ao GRAACC. Com uma das maiores tiragens de revista do mercado editorial, de 140 mil exemplares bimestrais, a Sorria se tornou também uma das dez publicações mais vendidas de forma avulsa do Brasil (segundo o Instituto Verificador de Circulação, o IVC, pela qual é auditada).

Em 14 edições, a revista vendeu mais de 1,7 milhão de exemplares. O volume gerou mais de 4 milhões de reais doados ao GRAACC, o maior e melhor hospital público de tratamento do câncer infantojuvenil no país. Os recursos angariados com a Sorria vão contribuir para ampliar o hospital, que atende pacientes de todo o país.

Essa realização é possível graças a uma ideia de negócios inédita no mercado: o modelo multiplicador de revista social. Nele, o custo de produção da publicação é dividido em cotas, adotadas por empresas patrocinadoras – que, em troca do investimento anual no projeto, recebem espaço para anunciar em Sorria, entre outros benefícios.

Apesar de ser um pouco antigo, vale a pena assistir:

TEDxSP 2009 – Roberta Faria from TEDxSP on Vimeo.

Petrobras e o campeonato Brasileiro. Uma aula de engajamento de marca na internet

Muito se fala sobre a presença das empresas na internet e, principalmente, na rede social. Mas essa presença tem que marcar território. Com iniciativa que envolva e estimule os internautas. Como fazer isso? Um ótimo exemplo é o projeto da Petrobras para o campeonato brasileiro. Brasileirão Petrobras é um videolog que vai mostrar todas as torcidas dos clubes da primeira divisão do campeonato.

Quem é “responsável” pela atualização da página é o personagem Tatu, que vai visitar 20 torcidas em 12 cidades, percorrendo 31 mil quilômetros pelo Brasil. Será uma jornada de seis meses, mostrando a personalidade de cada uma das torcidas que movem o Brasileirão. Minidocumentários, promoções e engajamento via twitter, facebook, youtube, etc. A iniciativa não é um mero anúncio publicitário. Ele gera conteúdo útil e de qualidade. Tudo que os internautas querem. Mais um gol de placa da agência Colmeia. Sou fã!

Dificuldade em conquistar patrocínio nos esportes em Brasília continua

amir nasr

A única equipe Brasiliense que disputa a Stock Car, Amir Nasr Racing, está sofrendo com a falta de patrocínio. A equipe não participou da última corrida, que aconteceu no Autódromo Nelson Piquet, no Rio de Janeiro, por falta de dinheiro para bancar os custos da logística envolta da equipe.

A escuderia de Brasília não está nas últimas posições do campeonato. Ela está muito bem, por sinal. Em quinto, com o piloto amazonense Antônio Pizzonia, e em 31º, com o carioca Cláudio Caparelli.

A falta de incentivo, por meio de patrocínio privado ao esporte local, é tradição na cidade. As principais equipes, de diversas modalidades e atletas da Capital Federal, na maioria das vezes, retiram dinheiro do próprio bolso para se manter no esporte.

Essa cultura se deve pela falta de cobertura dos eventos esportivos pela imprensa da cidade. Necessariamente nos jornais impressos e nas emissoras de televisão. Isso se justifica porque o patrocinador não vai investir dinheiro sem ganhar sequer mídia espontânea em nenhum veículo.

Segundo o release divulgado pela Amir Nasr Racing, “a equipe sempre mostrou desempenho acima da média, em todas as categorias em que participou e sempre garantiu ótimo retorno aos patrocinadores. Este ano, na Stock Car, está praticamente classificada para os playoffs (como são conhecidas as finais do campeonato) com a pontuação alcançada até agora por Antonio Pizzonia, nome que está sendo muito cogitado para retornar à Formula 1 em 2010. Contudo, nem mesmo esta combinação, de bons resultados e um nome expressivo, garantia de boa exposição para uma marca, foi capaz de garantir um outro contrato que dê fôlego à Amir Nasr”.