Jornalistas não entendem as mídias sociais

Esse texto foi publicado primeiramente no blog PuTz!

Por Carine Roos

A pesquisa “As percepções dos jornalistas da EBC sobre mídias sociais” surgiu a partir da constatação de que no Brasil não há pleno diálogo entre os cidadãos repórteres (mídias sociais) e as mídias convencionais. A efetiva interação é entendida nesse estudo quando uma mídia convencional cita, publica ou agrega a notícia realizada pelo cidadão à sua informação, realidade que já acontece nos Estados Unidos, Europa e Argentina. Exemplos que ilustram essa situação são os sites de notícias El Clarín e o El País que permitem a qualquer cidadão criar blogues pelas suas próprias páginas na internet. Da mesma forma, o jornal americano New York Times já publicou várias matérias do Global Voices, um observatório de blogues internacionais feito por cidadãos de vários países.

É com esse objetivo que o estudo irá questionar à comunidade jornalística na tentativa de entender, a partir de sua percepção e avaliação sobre as mídias sociais, a ausência desse diálogo. Para tal, foram realizadas entrevistas com 14 jornalistas da Empresa Brasileira de Comunicação (EBC) em três veículos diferentes, entre eles, a Agência Brasil, a Rádio Nacional Amazônia e a TV Brasil. As 14 entrevistas foram feitas conforme a proporcionalidade dos entrevistados nos veículos. Elas foram iniciadas em 18 de março de 2009 e finalizadas em 28 de abril de 2009. Na Agência Brasil, seis jornalistas fizeram parte da amostra, sendo quatro repórteres, um coordenador de edição e um editor. Na Rádio Nacional Amazônia foram entrevistados três jornalistas, entre os quais, um repórter e dois editores. E na TV Brasil foram entrevistados cinco jornalistas, sendo dois repórteres, dois editores e o editor-chefe.

O estudo partiu do princípio de que jornalistas de diferentes veículos, com formações distintas, e hierarquias diversas trariam resultados díspares. Foi elaborado um questionário com 20 questões, sendo 13 fechadas e 7 abertas. As perguntas eram as mesmas para todos os entrevistados e foram respondidas individualmente. Para preservar a privacidade e o direito de se expressar sem ser identificado, foi garantido o anonimato aos entrevistados.

Essa pesquisa constata que os jornalistas da EBC, em geral, não compreendem a mudança no que tange à readequação do seu papel a partir da cultura da internet e as ferramentas que dela advém, como as mídias sociais. Os jornalistas não estão atentos, de fato, a esse novo paradigma da comunicação. Nesse sentido, esses profissionais ainda não entendem que, com o surgimento de novas plataformas de publicação de notícias e informações, como blogues e sites alimentados pelos cidadãos repórteres, ocorre uma reestruturação dos papéis de emissor e receptor. Portanto, os jornalistas, agora, passam a compartilhar o espaço com a audiência na Internet.

Os entrevistados, numa perspectiva geral, percebem as mídias sociais no máximo de uma forma colaborativa, ou seja, apenas sugerindo pautas, enviando fotos, comentários, críticas, sugestões às matérias. A percepção que vigora deles no que tange à interação, não é a do cidadão como produtor de notícias, como alguém que participa ativamente na construção das mesmas. Dessa maneira, a estrutura jornalística não é rompida, a tendência é a reprodução dessas estruturas de produção da notícia atreladas às hierarquias de poder.

Assim sendo, os mecanismos que impedem um diálogo maior entre as duas mídias, tendo como parâmetro a percepção dos jornalistas da EBC, em sua maioria, ocorre por dois motivos: O primeiro é que os próprios não dão credibilidade às mídias sociais, por vários motivos, dentre os principais são porque o cidadão não tem competência para fazer notícias, temem que este passe uma informação errada e ajam de forma anti-ética, assim como não sigam os critérios de noticiabilidade. Essa conjuntura acaba por impedir que as notícias divulgadas por esses cidadãos sejam igualadas, em status, com as dos jornalistas.

O segundo motivo, a estrutura de trabalho impede uma maior integração entre mídias sociais e convencionais o que, por conseqüência, acaba por dificultar a percepção destes jornalistas no potencial que as mídias sociais possam ter em noticiar.

Em agosto de 2007, o Estadão fez uma campanha publicitária comparando blogueiros à macacos que apenas copiam e colam matérias publicadas na internet. Na mesma linha, a revista Imprensa publicou, em setembro de 2008, matéria intitulada “Blogueiro não é jornalista”, afirmando a diferenciação entre a atividade jornalística e a do blogueiro. Situações como essas explicam o cenário acima revelado, os jornalistas não admitem perder o controle da difusão da informação.

O Twitter vai mudar o mundo?

A minha colega de trabalho, Clara Mousinho, respondeu a pergunta abaixo do fórum de discussão sobre novas mídias. De quebra, eu pedi para publicar no blog. É bom para ampliar a discussão.

Clara Mousinho

Saiu uma matéria no Globo comentando um artigo que saiu na revista “Time” a respeito de como o Twitter vai mudar o mundo. Por favor leiam e façam seus comentários, se concordam ou não, e porque? A propósito todos acompanharam a repercusão do Twitter no Irã?? Comentem a respeito.

Mudar o mundo é uma expressão forte, mas acho que o Twitter tem se mostrado uma ferramenta de comunicação muito poderosa. Uma idéia simples de Jack Dorsey para saber o que seus amigos estavam fazendo. O inventor pensou em 2006 que a ferramenta poderia ser uma oportunidade de construir um conceito.

A idéia deu certo, pois o Twitter se caracteriza pela rapidez, simplicidade e a possibilidade de interação com várias pessoas. Além disso, a ferramenta se agrega a outras tecnologias como RSS, SMS ou um programa especializado. Por isso, o Twitter foi decisivo no caso do Irã. Ele possibilitou uma interação de jovens cidadãos de diversas localidades do país que utilizaram o site para se organizar e promover protestos contra o governo totalitário. É um caso que mostra que uma mensagem enviada pela mídia pode causar uma reação em cadeia.

Acredito que o do Irã não seja um caso isolado, mas foi intensificado devido à falta de democracia no país. Outros casos de mobilização social de menor porte podem ser constatados como o movimento Fora Sarney no Brasil e o NO H8 nos Estados Unidos.

Outra revolução gerada pelo Twitter é a rapidez com que as informações são difundidas. Uma mensagem com 140 caracteres pode anunciar uma notícia em segundos, enquanto ela está acontecendo. Esse fator altera radicalmente o modo de ver a notícia de internet, que passou a ser divulgada mais rapidamente. Isso, na minha opinião, aumenta a instantaneidade da web e pode torná-la mais rápida que o rádio em alguns casos.

Confesso que ao escreve este texto para o fórum mudei minha idéia em relação ao Twitter. Tive a oportunidade de conversar com pessoas que tem mais contato com a ferramenta e entender a real importância dela. Pensarei seriamente em abrir uma conta.

Livro eletrônico Comunicação em Rede

Para quem se interessa, ou estuda sobre comunicação na era da internet, o livro eletrônico Comunicação em Rede é uma biografia obrigatória. Ele é gratuito e está disponível no site comunicação em rede.
Acostumamos escutar que estamos no olho do furacão, porque não sabemos o que acontece ou o que virá no mundo digital e o livro ajuda as pessoas a se situarem nesse universo.

A página é um livro ou o livro é uma página? No caso, acho que as duas coisas. Os temas passam entre mídia social, jornalismo online e jornalismo cidadão. Segundo a própria definição do autor, o jornalista Charles Cadê, “o formato wiki (similar ao da Wikipédia) facilita agregar recursos de hypertexto. Não é uma obra estática: é possível clicar, possui tags (etiquetas) e links para mais informações. Isso facilita a leitura fragmentada. Apesar de haver a sugestão de uma linha a ser seguida, os textos podem ser lidos separadamente, caso haja interesse apenas por tópicos específicos. Ademais, o formato possibilita atualizar a obra, inserindo dados recentes, novos textos. É possível acompanhar esse trabalho através do RSS da obra”.

Computação nas nuvens

computador nas nuvens

A revista Veja, desta semana, trouxe como matéria de capa o Especial Veja Vida Digital. Particularmente, não gosto da revista. Só comprei por causa das matérias sobre os hábitos digitais. Elas falam sobre a computação nas nuvens, privacidade e segurança na internet.

A matéria sobre a computação nas nuvens explica o funcionamento dos datas centers. Imensos aglomerados de computadores conectados em rede que, com o tempo, irá armazenar todos os nossos arquivos.

Com a flexibilidade dos datas centers, em arquivar todo tipo de informação, segundo a reportagem, as empresas não precisarão mais gastar fortunas para montar estruturas de tecnologia. Elas utilizarão estruturas das gigantes IBM, Google ou Amazon.

A consultoria Gartner estima que esse negócio tenha movimentado US$ 46 bilhões em 2008. Em cinco anos, o mesmo valor será triplicado-atingirá US$ 150 bilhões.

Como exemplo, o jornal norte-americano The New York Times, que ao digitalizar e publicar na internet 71 anos de matérias publicadas, o jornal só pagou 240 dólares para hospedá-las na rede.

Outra tendência é a substituição dos computadores “tradicionais”, pelas empresas, para os desktops virtuais. Os funcionários ganham um monitor e um teclado, enquanto o sistema operacional roda em uma central, na nuvem.

Nem tudo é um mar de glória na nuvem e todos estão propensos a tempestades. Para os céticos, a computação em nuvem desperta temores e apreensão. Tanto pela segurança e privacidade dos usuários.