Ressurreição dos jornais vespertinos

 

Com os tablets, os leitores podem chegar em casa depois do trabalho e ler uma nova edição do jornal favorito

Dizem as más línguas que a era digital está matando, de forma lenta, o jornalismo impresso. Essa é a transformação natural da vida e da economia. O lado positivo é que algumas coisas estão sendo ressuscitadas. Como as edições vespertinas dos jornais.

Existiu um tempo em que os principais veículos brasileiros produziam duas edições: matutina e vespertina, que chegavam as bancas a partir das 18h. Era a maneira analógica das pessoas se informarem com mais velocidade, no período que não existia internet e nem televisão.

O aplicativo “O Globo a Mas” recém lançado pelo jornal O Globo, exclusivamente para o tablet da Apple, iPad, vem para preencher essa lacuna deixada de lado, principalmente, pelo alto custo.

O jornal carioca foi o primeiro periódico brasileiro a lançar uma edição vespertina para iPad, que trás como atrativo para os leitores, o resumo das notícias do dia.

Relação entre leitor e os veículos de comunicação

O jornalista Eugênio Bucci escreveu um artigo, muito esclarecedor, sobre a relação do leitor com os veículos de comunicação. Seja impresso ou online. Publicado no Estadão, o texto começa com um título provocativo: Caro leitor, você é cliente ou produto?
Para Bucci, não existe conteúdo jornalístico de graça. “Acontece que a gratuidade é mera aparência, ela de fato não existe. Quando a gente não paga nada em dinheiro, paga em olhar.”
Confira um trecho do artigo do jornalista Eugênio Bucci:

“Que a pergunta acima não lhe soe agressiva. Só o que ela pretende é indagar sobre a natureza da relação que cada um de nós mantém com os veículos que nos trazem informações jornalísticas todos os dias. Alguns são aparentemente gratuitos, como as emissoras de televisão aberta. Por outros é preciso pagar uma assinatura ou o preço do exemplar, tanto faz se esse exemplar chegue até nós pelo correio, pelas bancas ou pelos chamados tablets, como o iPad. O cenário é suficientemente óbvio: às vezes, a gente paga pelo que lê; outras vezes, não.

Acontece que a gratuidade é mera aparência, ela de fato não existe. Quando a gente não paga nada em dinheiro, paga em olhar. É aí que, em vez de cliente, a gente vira produto. Pensemos na televisão comercial de sinal aberto. Ela tem um modelo de negócio bastante conhecido: o que a sustenta é a receita de publicidade. A mercadoria essencial do negócio da televisão aberta é o tempo da programação que vende aos anunciantes. Em termos menos abstratos, o que ela comercializa, no fundo, é o olhar de seu público. Seu negócio é atrair olhar – em bom número e de algum poder aquisitivo – para depois vendê-lo aos anunciantes.

Nada de indigno nesse modelo, que é legítimo, legal e democrático. Apenas uma observação: nele o cliente é o anunciante; quanto a nós, o público, bem, somos o produto, somos aquilo que é vendido. Em troca da programação que recebemos da TV, nós a remuneramos com o tempo do nosso olhar que dedicamos aos filmetes de publicidade. Trata-se de um escambo consentido e consagrado. Tudo bem. Assim tem funcionado, de modo eficiente e lucrativo, ao menos até hoje.

Fórmulas híbridas

Pensemos agora na relação de troca que você mantém com seu jornal. A resposta é relativamente simples, embora híbrida. Aqui, você, leitor, é cliente, pois o exemplar que você tem agora nas mãos é pago. Ao mesmo tempo, você é produto, pois há publicidade à sua espera logo ali adiante, nas páginas mais à frente. Esses anunciantes pagaram para ter acesso aos seus olhos, para ter um ou dois segundos da sua atenção. Eles esperam que você, ao tomar conhecimento do que eles estão divulgando, compre algum serviço, alguma coisa. Claro, você tem absoluta consciência da expectativa deles. Estamos, então, falando de um jogo limpo, transparente.”

MediaOn debate papel transformador das redes sociais nas notícias de 2011

O MediaOn (Seminário Internacional de Jornalismo Online) promoveu a sua quinta edição em São Paulo. Neste ano, ficou colocado na mesa a transformação do ciclo da notícia no universo digital, o papel transformador das redes sociais nas notícias de 2011, a revolução digital na indústria cultural e os efeitos na produção e distribuição de conteúdo criativo.

Vale ressaltar que o evento, em todas as suas edições, sempre conta com a presença dos maiores nomes do jornalismo online. Promovido pelo Terra e Itaú Cultural, o seminário contou com a curadoria dos jornalistas Antonio Prada, Fernanda Cerávolo e Jaime Spitzcovsky.

O diretor de tecnologia editorial do portal de blogs noticiosos Huffington Post, Conor White-Sullivan, convocou os blogueiros brasileiros a participarem do projeto, que deve estrear a sua versão brasileira em 2012. “Desejamos ouvir essa voz única que vocês têm. Levamos a vocês um microfone”, disse.

No segundo painel, o editor-executivo da revista Veja, Fabio Altman, e o diretor de redação da Carta Capital, Mino Carta, admitiram que a imprensa brasileira e seus veículos tomam partido na apresentação dos fatos.

Em uma aula de jornalismo, as palavras de Carta fez uma grande reflexão da atual realidade da imprensa brasileira. Para Carta, o jornalismo precisa ser “honesto” ao apresentar os fatos e se posicionar. “Não acredito que a questão central seja o posicionamento político. O que não se pode é ignorar os fatos, mesmo com a posição pessoal. Não é possível é ter a informação e omitir, como acontece”, disse o italiano radicado no Brasil.

Altman concordou com o veterano e acrescentou que é preciso destacar a atuação do profissional de uma possível tendência política do veículo. “O jornalista faz o seu papel, o fato precisa ser contado e ponto final. A tendenciosidade se revela na omissão”, resumiu.

O diretor de Marketing da Nissan, Murilo Moreno, e o diretor de Inovação e Criatividade da Coca-Cola, Gian Martinez, apresentaram estratégias para produzir conteúdos com relevância para ganhar popularidade.

Murilo apresentou o sucesso da estratégia em redes sociais da Nissan no vídeo do “Pônei Maldito”, propaganda mais vista do YouTube no Brasil. Depois do sucesso, a Fan Page da montadora japonesa saltou de 2 mil para 75 mil fãs.

“Conteúdo é muito mais que uma palavra na moda, é uma necessidade de toda e qualquer empresa. É o conteúdo que dá sentido a uma marca”, disse Gian Martinez, da Coca-Cola. O cenário atual, segundo ele, é de absoluta sobre carga de conteúdo. O que vale, na avaliação do publicitário, é priorizar o “conteúdo líquido”, aquele que entra na vida das pessoas.

“Viver como uma água é o sentido para quem produz conteúdo. Pensar em uma ideia que consiga entrar em todas as mídias”, disse Martinez, que acredita na busca das marcas por construir conteúdos relevantes e genuínos. “É conseguir construir coisas que as pessoas achem que é importante para elas”, afirmou.

 

 

Produção de vídeo jornalístico ultrapassa de entretenimento na internet

Estudo recente produzido pela empresa Samba Tech (plataforma de vídeos online líder na América Latina e parceira do YouTube no Brasil) revela que 48,82% dos vídeos publicados na web são de notícias e política. O estudo foi feito entre 2010 e 2011 e divulgado pela revista Proxxima, do Grupo Meio & Mensagem. Entretenimento aparece com 13,64%, seguido por esportes, 10,55%.

A pesquisa desmistificou alguns dogmas da internet, como o tempo de duração perfeita para os vídeos onlines. Ao contrário do que se imagina, os internautas acessam mais vídeos longos, com mais de três minutos, do que os vídeos curtos, abaixo desse tempo.

O estudo revelou também que o número de acessos a vídeos é maior nos dias úteis do que nos finais de semana. O estudo também mostra que muitos usuários acessam esses conteúdos do ambiente de trabalho, pois há uma queda acentuada nas visualizações por volta das 18 horas, coincidindo com o fim do horário comercial.

Os veículos de comunicação brasileiros estão inseridos nesse fenômeno de produção de conteúdo jornalístico para a internet. A Associação Nacional de Jornais (ANJ) já avia divulgado uma pesquisa que revelou que o Youtube é a rede social mais usada pelos jornalistas brasileiros, com 89%.

 

Voice of San Diego é exemplo de jornalismo online

O sucesso do site Voice of San Diego, da Califórnia (EUA), mostra que o bom jornalismo online deve ser feito de forma totalmente diferente dos modelos engessados do jornalismo impresso.  Isso passa pela maneira de apurar as informações e na forma de contar a história para os leitores.

Com seis anos de existência, o site já recebeu diversos prêmios de jornalismo investigativo e foi escolhido como o melhor jornal local online dos Estados Unidos. Eu também admiro o Voice of San Diego. Primeiro por ser um veículo local. Segundo por ser um veículo sem fins lucrativos, coisa rara no mundo de hoje.

O manual de redação do site reflete o espírito inovador do veículo. Destaco a parte que diz para os jornalistas evitar os jargões jornalísticos. “Escreva uma história como se a estivesse contando para um amigo”.

 

O site do observatório da imprensa publicou alguns pontos do manual de redação do Voice of San Diego:

              1. Em cada reportagem há três itens obrigatórios: contextualização, conhecimento de causa e não se limitar a dizer o que está acontecendo, mas o qual o significado do que está sendo informado.
              2. Não existe objetividade. Cada pessoa, inclusive os repórteres, vê a realidade através de filtros pessoais. Reconheça a diversidade de opiniões e deixe que ela oriente seu trabalho.
              3. O manual afirma que os repórteres não são guiados por identidades politicas ou ideológicas, mas cada decisão que tomam é feita a partir de sua própria subjetividade.
              4. Não existe equilibrio metade/metade. Existe a verdade e temos que fazer todo o possível para chegar até ela.
              5. Na maioria dos casos não existem apenas dois lados do problema, existem muitos e todos merecem tratamento igual. Pergunte-se, sempre, quem não está sendo representado na noticia ou reportagem.
              6. Não faça perguntas em sua reportagem. Dê respostas.
              7. Evite sempre a fórmula, “fulano disse”, “ciclano declarou” . Nós não somos uma página de transcrições.
              8. Se alguém o acusar de tendencioso, não se assuste, também não trate de negar. Pense no problema e responda com convicção.
              9. Não disfarce as suas opiniões pessoais citando outras pessoas.
              10. Siga esta regra: o jornalismo é bom para resolver pequenos problemas e para arranhar grandes questões. Ele nunca foi bom para solucionar grandes problemas.
              11. Não se preocupe em ser furado. O que deve lhe preocupar é o fato de não estar gerando impacto com sua informação.
              12. Não faça como o ratinho do carrossel: correr o tempo todo sem sair do lugar. Não adianta ter pressa só para atender a um deadline.
              13. Evite o jargão jornalístico. Escreva uma história como se a estivesse contando para um amigo numa mesa de bar.
              14. Nós não fazemos jornalismo por dinheiro. Nosso trabalho tem que ser prazeroso.

                Brasil247 – 24h por dia e 7 dias por semana

                O Brasil ganhou a primeira mídia concebida especialmente para iPad. Lançado na última terça-feira (15/03), o Brasil247 é gratuito, compartilhável e editado especialmente com recursos multimídia.

                Dois dias depois do lançamento, o jornal já era o aplicativo gratuito mais baixado na App Store Brasil. Em entrevista ao G1, o jornalista responsável pelo projeto, Leonardo Attuch, diz que o Brasil247 apresenta duas edições diárias. “A primeira edição é publicada às 20h. Logo pela manhã, às 6h, disponibilizamos uma versão atualizada. Porém, se houver algum acontecimento importante durante o dia, o jornal pode receber uma edição extra”, explica.

                Já na internet “convencional”, o layout do site do Brasil247 é bem parecido com o blog norte-americano The Huffington Post. O investimento foi alto se tornar o primeiro veículo online do Brasil. A editora responsável investiu R$ 4 milhões em um ano.  Atualmente, o mercado nacional possui 200 mil tablets, com a expectativa de crescimento para mais de 1 milhão em 2011.

                O diferencial da publicação são os recursos específicos que o iPad proporciona e não uma mera adaptação de uma edição impressa de um jornal. O modelo de produção editorial será colaborativo, com conteúdos desenvolvidos pela própria redação e com a participação de leitores, que podem encaminhar fotos, vídeos e textos sobre temas de interesse. A comunicação com colaboradores poderá ser feita por email ou por meio das mídias sociais, como Twitter e Facebook.

                Comprometidos apenas com as perguntas

                “Acho que o jornalismo está sendo ameaçado pela internet. E o principal motivo é que a internet faz o trabalho de um jornalista parecer fácil. Quando você liga o laptop na sua cozinha, ou em qualquer lugar, tem a sensação de que está conectado com o mundo. Em Pequim[bb], Barcelona[bb]ou Nova York[bb]… Todos estão olhando para uma tela de alguns centímetros. Pensam que são jornalistas, mas estão ali sentados, e não na rua. O mundo deles está dentro de uma sala, a cabeça está numa pequena tela, e esse é o seu universo. Quando querem saber alo, perguntam ao Google[bb]. Estão comprometidos apenas com a perguntas que fazem. Não se chocam acidentalmente com nada que estimule a pensar ou a imaginar. Às vezes, em nossa profissão, você não precisa fazer perguntas. Basta ir às ruas e olhar as pessoas. Basta ir às ruas e olhar as pessoas. É aí que você descobre a vida como ela realmente é vivida”,  observação do jornalista norte-americano Gay Talese sobre a qualidade do jornalismo na era dainternet[bb].


                Imagem: Flickr/CubaGallery

                NoMínimo faz parte da história do jornalismo online brasileiro

                Para quem pretende conhecer e estudar sobre a história do jornalismo online no Brasil não pode deixar de conhecer a trajetória do site NoMínimo. Lançado em 2002, a página chegou a ter mais de 3 milhões de acesso por mês. A experiência terminou em 2007 por falta de patrocínio.

                Para quem não viveu esse período pode acessar o site asultimas.com.br. A página reúne os pensamentos e os blogs dos jornalistas que participavam do projeto.

                O Globo integra redação do impresso com online

                Redação do O GloboRedação do O Globo 1

                O jornal O Globo quebrou a barreira que existia entre as redações do on-line e do impresso. Agora é tudo “junto e misturado”. Brincadeiras a parte, a integração do jornal vem para ratificar a importância que os veículos brasileiros estão dando as suas versões online. Os jornais New York Times e El País foram uns dos primeiros periódicos do mundo a terem uma só redação.

                O editor-executivo do O Globo, Orivaldo Perin, que coordenou o processo de integração, comentou sobre a transformação que o jornal passou em entrevista publicada no blog Amanhã no Globo. Veja uma parte da conversa:

                E por que a decisão de juntar as redações agora?
                Perin:
                Aqui no Brasil, o papel vai bem, mas, lá fora, está tendo problemas nos Estados Unidos e em alguns lugares da Europa. O cenário começou a ter modificações a partir do crescimento da internet. Então, o que o mundo começa a fazer? Passa a fundir as redações. O retorno financeiro do on-line é baixo e, segundo estudiosos, ainda vai continuar assim por algum tempo. Logo, é mais barato você juntar as redações. Isso é uma coisa óbvia. Então, há três ou quatro anos os grandes jornais do mundo começaram a fazer isso. Integração de redação virou o grande objetivo das principais empresas de comunicação. Nós não poderíamos ficar fora disso. No Brasil, o Globo é o primeiro grande jornal que está começando a integrar.

                Alguns jornais do país já possuem as redações on-line e de jornal no mesmo andar…
                Perin:
                Aqui a gente está misturando. Estamos integrando de fato. A redação do on-line está descendo para fazer parte da redação de papel. Aliás, a gente não fala mais redação on-line. Falamos que é a redação do Globo. Trata-se de um corpo só. O papel e o on-line vão sentar juntos. Essa integração começou a ser feita no início de 2008 e eu fui colocado como gerente de integração, para tentar fazê-la nos dois endereços. Só que era um casamento com camas separadas, e isso não dá certo. Integrou-se alguma coisa. Algumas áreas do papel ficaram mais sensibilizadas e o on-line se aproximou, mas muito pouco perto das necessidades que essa realidade está impondo.

                Veja também as fotos da nova redação