Relação entre leitor e os veículos de comunicação

O jornalista Eugênio Bucci escreveu um artigo, muito esclarecedor, sobre a relação do leitor com os veículos de comunicação. Seja impresso ou online. Publicado no Estadão, o texto começa com um título provocativo: Caro leitor, você é cliente ou produto?
Para Bucci, não existe conteúdo jornalístico de graça. “Acontece que a gratuidade é mera aparência, ela de fato não existe. Quando a gente não paga nada em dinheiro, paga em olhar.”
Confira um trecho do artigo do jornalista Eugênio Bucci:

“Que a pergunta acima não lhe soe agressiva. Só o que ela pretende é indagar sobre a natureza da relação que cada um de nós mantém com os veículos que nos trazem informações jornalísticas todos os dias. Alguns são aparentemente gratuitos, como as emissoras de televisão aberta. Por outros é preciso pagar uma assinatura ou o preço do exemplar, tanto faz se esse exemplar chegue até nós pelo correio, pelas bancas ou pelos chamados tablets, como o iPad. O cenário é suficientemente óbvio: às vezes, a gente paga pelo que lê; outras vezes, não.

Acontece que a gratuidade é mera aparência, ela de fato não existe. Quando a gente não paga nada em dinheiro, paga em olhar. É aí que, em vez de cliente, a gente vira produto. Pensemos na televisão comercial de sinal aberto. Ela tem um modelo de negócio bastante conhecido: o que a sustenta é a receita de publicidade. A mercadoria essencial do negócio da televisão aberta é o tempo da programação que vende aos anunciantes. Em termos menos abstratos, o que ela comercializa, no fundo, é o olhar de seu público. Seu negócio é atrair olhar – em bom número e de algum poder aquisitivo – para depois vendê-lo aos anunciantes.

Nada de indigno nesse modelo, que é legítimo, legal e democrático. Apenas uma observação: nele o cliente é o anunciante; quanto a nós, o público, bem, somos o produto, somos aquilo que é vendido. Em troca da programação que recebemos da TV, nós a remuneramos com o tempo do nosso olhar que dedicamos aos filmetes de publicidade. Trata-se de um escambo consentido e consagrado. Tudo bem. Assim tem funcionado, de modo eficiente e lucrativo, ao menos até hoje.

Fórmulas híbridas

Pensemos agora na relação de troca que você mantém com seu jornal. A resposta é relativamente simples, embora híbrida. Aqui, você, leitor, é cliente, pois o exemplar que você tem agora nas mãos é pago. Ao mesmo tempo, você é produto, pois há publicidade à sua espera logo ali adiante, nas páginas mais à frente. Esses anunciantes pagaram para ter acesso aos seus olhos, para ter um ou dois segundos da sua atenção. Eles esperam que você, ao tomar conhecimento do que eles estão divulgando, compre algum serviço, alguma coisa. Claro, você tem absoluta consciência da expectativa deles. Estamos, então, falando de um jogo limpo, transparente.”

Videorreportagem no Brasil

Em 2008, produzi um manual do videorreporter como trabalho de conclusão do curso, na faculdade de jornalismo. Até aquele momento, a linguagem da videorreportagem começava a ter adeptos entre os veículos de comunicações tradicionais e na internet.

Infelizmente, nesses três anos que se passaram poucas coisas mudaram na quantidade de repórteres que produzem informações utilizando a linguagem, pelo menos aqui no Brasil.

Hoje, o cenário nunca esteve tão favorável para a linguagem jornalística. Celulares com câmeras de alta tecnologia, aumento da velocidade e do acesso a internet móvel, amadurecimento dos sites que hospedam vídeos e câmeras filmadoras de alta definição com preços acessíveis.

Eu sou um entusiasta da linguagem. Na elaboração do manual eu tive que resgatar a história das primeiras iniciativas brasileiras que utilizavam o chamado repórter abelha. Segue um vídeo muito interessante do cineasta Fernando Meirelles falando sobre a entrada do repórter abelha na televisão brasileira.

 

Desafios das notícias sociais

Estamos vivendo uma profunda mudança no consumo de informação na internet. O começo da década foi marcado pela hegemonia do Google. O importante para as empresas de mídia era ter um ótimo SEO (Search Engine Optimization) que colocava o site nas melhores posições nos sites de buscas.

O papel do SEO continua importante, mas não como antigamente. Estamos no momento das indicações sociais. As informações sugeridas pelos amigos possuem um grande peso. Elas representam um filtro social.

Agora, as empresas de mídia tem o desafio de entrar em contato face a face com os leitores. O jornalismo é basicamente contar histórias verdadeiras. E para chegar neste ponto, você tem a obrigação de ouvir o maior número de pessoas. O melhor lugar para ouvir as pessoas é a rede social.

Elas são excelentes para o jornalismo, podemos encontrar pessoas, conversar e interagir. Para aproveitar ao máximo as possiblidades das redes sociais, os jornais tem um caminho a percorrer.

O desafio é saber qual é a melhor maneira de unir o jornalismo de qualidade com os recursos disponíveis pelas redes sociais. Como estamos no olho do furacão, devemos testar novas formas e ficar de olho nas experiências dos concorrentes.

Comprometidos apenas com as perguntas

“Acho que o jornalismo está sendo ameaçado pela internet. E o principal motivo é que a internet faz o trabalho de um jornalista parecer fácil. Quando você liga o laptop na sua cozinha, ou em qualquer lugar, tem a sensação de que está conectado com o mundo. Em Pequim[bb], Barcelona[bb]ou Nova York[bb]… Todos estão olhando para uma tela de alguns centímetros. Pensam que são jornalistas, mas estão ali sentados, e não na rua. O mundo deles está dentro de uma sala, a cabeça está numa pequena tela, e esse é o seu universo. Quando querem saber alo, perguntam ao Google[bb]. Estão comprometidos apenas com a perguntas que fazem. Não se chocam acidentalmente com nada que estimule a pensar ou a imaginar. Às vezes, em nossa profissão, você não precisa fazer perguntas. Basta ir às ruas e olhar as pessoas. Basta ir às ruas e olhar as pessoas. É aí que você descobre a vida como ela realmente é vivida”,  observação do jornalista norte-americano Gay Talese sobre a qualidade do jornalismo na era dainternet[bb].


Imagem: Flickr/CubaGallery

Jornalismo na visão do José Hamilton Ribeiro

Para fazer reportagem, um jornalista precisa de formação e vocação. Se o camarada não ler, não estudar, não estiver ligado no mundo, se não souber coisas básicas de história da arte, da história da ciência, como vai ser jornalista?

E tem a vocação, o perfil psicológico muito definido, como outro requisito. Em jornalismo, existe uma condição básica. Informação é poder. Nas outras profissões, a pessoa que tem informações as segura para si. O jornalista, não. É generoso, quer dar. O gosto do jornalista é contar para os outros. É a psicologia do furo.

Entrevista do jornalista José Hamilton Ribeiro para a revista Carta Capital.

Princípios que nunca podemos perder no jornalismo

Os meus últimos posts aqui no blog foram voltados para áreas como tecnologia, marketing ou publicidade. São caminhos que em algum momento se entrelaçam. Já o jornalismo, que pratico todos os dias no meu trabalho, ficou um pouco de lado. Não é porque cansei do assunto, mas não tinha novidade suficiente para ser debatido aqui no blog. Até o momento.

Então, vamos ao post. O jornalista da Rede Globo, Geneton Moraes Neto, fez um dos mais belos retratos do que é ser um repórter. “Repórter é aquele ser bípede que ganha um salário para se intrometer na vida dos outros. Ou para perguntar o que entrevistado preferiria não responder”. Neto vai mais além, ensina como o jornalista deve tratar as suas fontes, mesmo sendo celebridades.

“Uma das primeiras vacinas que o jornalista deve tomar, já no início da carreira, é a AD : anti-deslumbramento. Assim, ele aprenderá que estar próximo não é ser íntimo. Nunca. O fato de eventualmente conviver com quem é de fato importante e célebre, como presidentes, astros, estrelas, gênios e sumidades, não faz do repórter um integrante desta corte. Pelo contrário”.

Continuando no mesmo campo do jornalismo, prefiro dizer nos ensinamentos, sugiro a leitura da entrevista que Geneton fez com o jornalista norte-americano Carl Bernstein, famoso por derrubar um presidente dos Estados Unidos. Essa vale até guardar nos favoritos.

Foto: Flickrs / @reporterdofuturo

Vícios dos sites jornalísticos do Brasil

É interessante observar o comportamento da imprensa online no Brasil. É só comparar as notícias dos portais e dos sites. Assim como nos jornal impresso, existe uma espécie de agenda. São as notícias que norteiam a maioria dos sites durante o dia. Consigo enxergar claramente quando, aqui na assessoria de imprensa, realizamos uma ação de abrangência nacional. Basta fazer uma simples clipagem no Google News.

A fórmula é simples. Bastam as agências de notícias publicarem uma nota para que diversos sites repliquem a informação na íntegra. Tudo sem questionar a veracidade.

Já os grandes portais Uol, Terra, Globo.com ou R7,  são menos “manipulados” pelo fenômeno. Até pela estrutura que possuem. Mas no calor da ocasião, até eles caem na onda.

O meu questionamento está na qualidade da informação. Parece que impera é a quantidade e não a qualidade.

Todo mundo entende de comunicação

Eu li um artigo no site Mundo do Marketing que representa muito bem uma das dificuldades enfrentadas pelos assessores de imprensa. O texto é voltado para o marketing, mas podemos trazer muito bem para a realidade dos jornalistas que trabalham no mundo empresarial. Segue um trecho:

“Existem profissões soberanas e outras que a cada dia tornam-se progressivamente subservientes em que o conhecimento é irrelevante. Na área biológica ou em exatas poucos se aventuram a palpitar. Já imaginou o paciente informando ao médico que prefere o medicamento A ao invés do B ? Ou o acionista informando o engenheiro que quer estressar o cálculo e levar os materiais daquela ponte ao limite? Se acontecer uma vez, pode ter certeza que não terá uma segunda.

Na nossa área é diferente. Todos entendem de marketing.  Uma vez eu estava apresentando uma concorrência de comunicação em um fundo de investimento, quando entrou um rapaz para pegar assinaturas e enquanto aguardava o executivo assinar os papéis, começou a olhar a apresentação e cinco minutos depois comentava e opinava sobre o trabalho.”

Página agrupa os Twitters do Estadão

Os jornais brasileiros voltaram seus os olhos para o serviço de microblogging, principalmente, no segundo semestre de 2009. Twitter virou fonte para as pautas e notícias, além de ampliar a distribuição de informações e publicidade. Tanto, que o portal do jornal Estado de São Paulo, Estadao.com.br, criou uma página específica para reunir os perfis do Twitter das editorias e dos jornalistas do jornal.

O mais bacana é que o jornal disponibilizou diversas dicas para ensinar os iniciantes como funciona a plataforma. Algumas perguntas são respondidas, como: o que é hashtag?; como retransmitir um post?; o que é Twitter?, além de um glossário com os termos básico do Twitter.