Twitter e as celebridades

O Twitter se consolidou como uma grande fonte de pauta para jornais e sites de notícias. Antigamente, as redações possuíam os rádios escuta. Agora, algumas já possuem o pesquisador de pauta no Twitter.

As primeiras pautas retiradas do site foram sobre flagras do cotidiano. Isso por causa do imediatismo das informações que circulam na página. Agora, as principais pautas são as declarações e opiniões das celebridades.

A mais recente foi os comentários, no Twitter, do apresentador Luciano Huck sobre a modelo Lívia Andrade, em entrevista ao jogador de futebol, Ronaldo, no programa Silvio Santos, no SBT.

“Quem é esta louca com o Silvio Santos??? VPP: vergonha pela pessoa”, indagou Luciano. Ele acrescentou ainda: “Esta louca quer dar um trato no patrão!!!!!”.

Isso prova que, principalmente, as celebridades devem ter cuidado no que escrevem no site. A sensação de intimidade faz com que as pessoas falem o que pensa sem medir a possível repercussão das declarações.

Blogueiros discutem em Brasília os rumos da mídia

Cinco dos principais nomes da blogosfera independente brasileira estarão em Brasília, entre os dias 26 e 30 de outubro, para discutir com estudantes de comunicação e profissionais da imprensa o papel das novas mídias.

O ciclo de palestras será realizado no auditório principal do IESB, no Campus Edson Machado, na Asa Sul, em Brasília, das 19h às 21h30, com entrada gratuita. Segundo o release divulgado, o objetivo é estimular estudantes de comunicação e jornalistas a debater os rumos da chamada grande imprensa e a conhecer o pensamento crítico de alguns dos principais nomes da blogosfera independente.

Paulo Henrique Amorim, Luís Nassif, Luiz Carlos Azenha, Rodrigo Vianna e Marco Weissheimer foram convidados a falar da internet como alternativa de informação para o público, o novo mundo das redes sociais, a crise da mídia corporativa e o exercício da cidadania online.

No dia 26 de outubro a palestra é do jornalista Paulo Henrique Amorim, 27 do Luís Nassif, 28 do Luiz Carlos Azenha, 29 do Rodrigo Vianna e 30 do blogueiro Marco Weissheimer.

Sites de notícias de Campo Grande não foram credenciados para cobertura do jogo da seleção brasileira

A CBF (Confederação Brasileira de Futebol) não credenciou os sites jornalísticos de Campo Grande (MS) para fazer a cobertura do jogo da seleção brasileira hoje contra a Venezuela. Segundo o site comunique-se, a CBF deu preferência para os veículos de cobertura nacional. É uma pena, porque mostra a desvalorização dos veículos locais.

O problema é que os veículos da cidade, que fazem a cobertura do esporte local, passam o ano trabalhando nos piores jogos. São eles que estimulam e divulgam os times das cidades. Quando é para ficar com a cereja do bolo, no caso cobrir uma partida da seleção brasileira, a preferência é para os veículos do Rio e de São Paulo.

Concurso para colaborador do blog do Manual dos Focas

Manual dos Focas

Os jornalistas que mantém o blog Manual dos Focas abriu um concurso para ampliar a equipe de colaboradores da página. Os interessados poderão enviar as suas inscrições até o dia 20 de outubro.

O blog é uma ótima oportunidade para o jornalista iniciante ter seus textos publicados, além de ter visibilidade no mercado. Segue o regulamento do concurso:

Regulamento:

Serão três etapas classificatórias. A primeira consiste numa redação com até 1,4 mil caracteres (10 vezes o texto do twitter). Nela, o foca deve escrever sobre si, sobre o porquê decidiu se tornar jornalista e contar-nos um pouco da sua experiência profissional. Também deve nos dizer quais suas áreas de interesse, se por cultura, economia, política. O que seja.

A segunda etapa serve para conhecermos a disponibilidade do foca em escrever. Ele deve nos dizer o que faz atualmente, e, sobretudo, quanto tempo tem livre para redigir artigos e ler jornal. Daremos preferência ao foca que conhece não só o que se passa no noticiário nacional como também no local. Ele será nosso observador da cobertura regional da imprensa.

Quem chegar à terceira etapa deverá escrever cinco sugestões de artigo, cada qual da sua maneira. Lembre-se sempre, entretanto, que deverá se tratar de assuntos jornalísticos. Ou de comunicação.

Prêmio ou trabalho escravo?

Que tal fazer a cobertura jornalística, pelo grupo RBS, da festa Oktoberfest, na cidade de Blumenau. Essa é a proposta do concurso Par Oktoberfest que selecionaria dois jornalistas para a missão. Os ganhadores produziriam reportagens jornalísticas para a RBS TV, Rádio Atlântida Blumenau, internet e o caderno OktoberZeitung, do Jornal de Santa Catarina. O problema é que no regulamento da concorrência, os ganhadores não iriam receber nenhum real pelo trabalho desenvolvido nos 60 dias de cobertura.

Consta, ainda, no regulamento que o candidato deve ter disponibilidade de tempo para o “trabalho” e arcando com as despesas de transporte, homenagem, lazer e alimentação.

A esperteza do Grupo RBS durou pouco tempo. O Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Santa Catarina (SJSC) entrou com uma ação civil sobre alegação de trabalho escravo. O Tribunal Regional do Trabalho do Estado determinou a remuneração aos vencedores caso eles prestem os serviços jornalísticos.

Fico impressionado como o jornalismo é tratado no Brasil. Vejo, em todas as esferas, que as pessoas acreditam que trabalhar com comunicação é simples e fácil. Logo, não valorizam os profissionais e não querem pagar um salário descente para seus jornalistas ou assessores de comunicação.

Jornalista compartilha experiência de cobrir os Jogos Olímpicos

Pegando o gancho no clima olímpico que tomou conta do Brasil nesta semana, eu tive a oportunidade de entrevistar, por e-mail, a jornalista Marlene Gomes. Marlene já passou pelas editorias de Esportes nas redações do Correio Braziliense e Jornal de Brasília. Ela contou, para o blog, um pouco da sua experiência de cobrir os Jogos Olímpicos para o jornal impresso.

Quais eventos esportivos você já fez cobertura jornalística?

Como sempre trabalhei em editorias de esporte, tive a oportunidade de cobrir dezenas de eventos nacionais e internacionais. Entre as principais coberturas internacionais destaco as Olimpíadas de Atlanta, os Jogos Olímpicos Especiais de Inverno, na Áustria, e a Copa Latina de Natação, na Itália, além da Copa do Mundo de Futebol, na Alemanha.
No Brasil cobri diversas modalidades esportivas, o que me deu a chance de estar presente nos mais importantes eventos esportivos do país, como as diversas etapas do mundial de Fórmula 1, da Liga Mundial de Vôlei, do circuito BB de Vôlei de Praia, do mundial de triatlon, do troféu Brasil de natação e de atletismo, e por aí vai…
Como foi cobrir uma olimpíada?

Ser escalado para cobrir uma olimpíada é um prêmio para qualquer profissional. Significa o reconhecimento de sua chefia e dos colegas pelo trabalho que você faz. Quer dizer credibilidade, respeito e ética. Foi uma honra cobrir um evento esportivo com a participação de mais de 10 mil atletas, representando 197 países, como foi em Atlanta.
Você cobriu por qual veículo?

Foi pelo jornal Correio Braziliense.

Como é trabalhar em um evento em que o mundo está voltado para ele?

É um momento especial, mas é também um momento em que o profissional não pode baixar a guarda. As verdadeiras estrelas do espetáculo são os atletas. E os leitores do seu veículo merecem a melhor cobertura possível.

As coisas estão acontecendo o tempo todo e, naturalmente, o editor, juntamente com o repórter, planejará como será a cobertura. A definição da cobertura dependerá do número de profissionais credenciados e dos recursos financeiros disponíveis.

Para Atlanta, definimos que o foco da cobertura seriam as modalidades em que o Brasil tinha chances de medalhas, além da participação dos atletas de Brasília nos Jogos.

Cobrir os Jogos Olímpicos é diferente das outras competições esportivas?
Sim. A olimpíada é o sonho de qualquer atleta. Independentemente de conquista de medalha. Participar de uma olimpíada materializa o cotidiano individual de história de vida do atleta – lutas, desafios, conquistas, emoções e lágrimas de cada um deles. A Olimpíada é um momento mágico – para quem compete, para quem assiste e para quem trabalha. Não tem como não se emocionar.

Os jornalistas enfrentaram alguma privação da organização?

Não. Ao contrário – uma das maiores preocupações da organização é exatamente com a imprensa. É por isso mesmo que os profissionais são credenciados de acordo com a finalidade do veículo, se jornal, rádio ou televisão, e com mais de um ano de antecedência. A credencial é um passe para que o profissional possa fazer a cobertura, para que possa realizar o seu trabalho.


Qual era a maior dificuldade enfrentada na cobertura?

No início dos jogos de Atlanta, o maior problema foi no setor de transportes. Os engarrafamentos dificultavam os deslocamentos de uma arena para outra. Além disso, o sistema planejado para o deslocamento dos profissionais, a partir do Media Press Center, não funcionou. Mas a organização tratou de solucionar o problema o mais breve possível.

Como era o centro de imprensa?
Além do Media Press Center, o centro de imprensa principal, em cada local de competição é montado um mini centro de imprensa, com todas as facilidades para que os profissionais possam fazer o seu trabalho e para que possam enviar o material rapidamente aos seus países. Todas as instalações esportivas são também dotadas de  áreas apropriadas para que a imprensa credenciada possa entrevistar os atletas logo depois das competições. E também são programadas coletivas de imprensa.

Você poderia contar algum fato curioso que aconteceu com você nos jogos?

Considero como fatos pitorescos dar entrevista para outros veículos, dar autógrafo ou ser solicitada para tirar fotos com turistas. São situações engraçadas, porque o atleta é que é a estrela dos jogos, mas como também é uma festa de todas as nações, as pessoas acabam querendo uma recordação, nem que seja uma foto com alguém credenciado.

Qual é a dica que você daria para um jornalista que é escalado para cobrir, pela primeira vez, uma olimpíada?

Não tenho nenhuma dica para dar. Estou convencida de que somente os profissionais dedicados e competentes são escalados para cobrir uma olimpíada. Tenho certeza de que são merecedores da confiança de seus editores e dos leitores, e que farão a melhor cobertura possível.

R7: Novo com corpinho de velho

r7

A Rede Record anunciou, com muito alvoroço, a chegada do portal R7.com. A primeira impressão era que o site vinha para revolucionar o conceito de portal de notícia. Principalmente pelo investimento de R$ 100 milhões. Acredito que o veículo vem para ampliar e apimentar a concorrência entre os sites brasileiros de notícias. Toda concorrência faz as empresas refletirem a atuação no mercado.

O R7 não trouxe nada de novo. Essa seria a oportunidade para a Record quebrar paradigmas e mostrar algo novo na internet brasileira. O lado positivo é o destaque para a participação dos leitores, nos comentários, e a tentativa de interação com as redes sociais. Já o layout decepcionou. É uma junção do IG, com G1, Terra e UOL.

Dia do Rádio

Hoje é comemorado o dia do Rádio no Brasil. Neste dia 25 de setembro faz 86 anos que Roquete Pinto montou a primeira estação de rádio no país. O veículo é o único que proporciona as pessoas escutarem as notícias dirigindo, tomando banho, cozinhando, lendo ou usando o computador.

Para quem torceu para que o rádio morresse com a vinda da internet, o veículo somente se fortaleceu e está acessível para todos. Em homenagem ao dia, segue um documentário sobre os bastidores da notícia, chamado “O caminho da notícia”, produzido por estudantes nos estúdios da CBN, do grupo da Rede Globo.

Jornalista Eugênio Bucci ministra palestra em Brasília

O jornalista e professor, Eugênio Bucci, estará em Brasília para palestrar no seminário “Mutações, a experiência do pensamento”, no dia 28 de setembro, às 19h, no Teatro da CAIXA Cultural Brasília. O tema da palestre de Bucci será: “Imagem-língua, imagem-mercadoria, imagem sem imaginação: a fabricação industrial de signos visuais num tempo em que o olhar não se distingue do trabalho”.

Para quem não se recorda, Bucci dirigiu a Radiobrás (atual Empresa Brasil de Comunicação, EBC) entre janeiro de 2003 até abril de 2007. O jornalista comandou o processo de revitalização e reposicionamento da empresa estatal de comunicação. Seu trabalho foi elogiado pelos principais veículos de comunicação do país e por diversos políticos e intelectuais, acumulando prêmios e reconhecimento nacional e internacional.

QR Código: integração do impresso com online

Você já deve ter visto a imagem abaixo.

qrcode

Este código é o QR. É o endereço, espécie de link, para acessar conteúdo, de um determinado site, no celular.  Como exemplo, esse é o código do meu blog. Para acessar é só aponta, ou imprimir a imagem, fotografá-la com seu telefone celular e a página será carregada automaticamente.

A tecnologia do QR Code não é nova, mas somente agora esta sendo bastante utilizado aqui no Brasil, por causa do crescente acesso da população aos celulares com internet.

Uma experiência de integração de duas mídias, jornais impresso e online, utilizando o QR Code é do Correio Braziliense. As matérias do impresso trazem o código quando possuem conteúdos complementares no site do jornal. Seja áudio ou vídeo.

O código também passou a ser utilizado para anexar informações pessoas, no caso de cartões de visitas, facilitando a inserção dos dados em agendas de telefones celulares.

Estágio na globo.com

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O sonho de muitos estudantes de jornalismo é trabalhar na Rede Globo. Muitos negam, mas no fundo que ser um global. Para os interessados, estão abertas as inscrições para o processo de seleção de estagiários da Globo.com. É uma oportunidade de trabalhar numa das melhores empresas do Brasil. Não somente pelo seu poder midiático, mas pela valorização do profissional. A chance do estagiário ser efetivado é grande.

Como o jornalismo funciona hoje?

Muito se fala do futuro e quase não escutamos sobre o presente do jornalismo. Assim, alguns jornalistas se reuniram e escreveram um manifesto que tenta explicar como é o jornalismo atualmente, na era da internet. O documento foi traduzido para o português e pode ser encontrado na página manifesto-internet.org.br.

Segue os 17 tópicos do documento:

1. A Internet é diferente.

Ela produz diferentes esferas de público, diferentes termos de troca e diferentes competências culturais. Os media têm de adaptar os seus métodos de trabalho à realidade tecnológica actual, em vez de a ignorarem ou desafiarem. É o seu dever desenvolverem a melhor forma possível de jornalismo, com base na tecnologia disponível. Isto inclui novos produtos e métodos jornalísticos.

2. A Internet é um império dos media tamanho de bolso.

A Internet reorganiza as estruturas dos media já existentes ao transcender os seus limites anteriores e oligopólios. A publicação e disseminação dos conteúdos já não estão ligadas a investimentos avultados. A própria concepção do jornalismo está, felizmente, a ser esvaziada da sua função de guardiã. Tudo o que resta é a qualidade jornalística através da qual o jornalismo em si se distingue da mera publicação.

3. A Internet é a nossa sociedade é a Internet.

As plataformas com base na Web, como as redes sociais, Wikipedia ou o Youtube tornaram-se parte da vida diária para a maioria das pessoas no mundo ocidental. São tão acessíveis como o telefone ou a televisão. Se as empresas de comunicação social querem continuar a existir, têm de perceber a vida e o mundo dos utilizadores de hoje e têm de se render às suas formas de comunicação. Isto inclui formas básicas da comunicação social: ouvir e responder, também conhecido por diálogo.

4. A liberdade da Internet é inviolável.

A arquitectura aberta da Internet constitui a lei básica das Tecnologias da Informação, de uma sociedade que comunica de forma digital e, consequentemente, do jornalismo. Pode não ser alterada em nome da protecção especial de interesses comerciais ou políticos, muitas vezes escondidos sob a falsa pretensão do interesse público. Independentemente da forma como se faz, bloquear o acesso à Internet ameaça a livre circulação de informação e corrompe o nosso direito fundamental a um nível autodeterminado de informação.

5. A Internet é a vitória da informação.

Devido a tecnologia inadequada, as empresas de comunicação social, os centros de investigação, as instituições públicas e outras organizações compilavam e classificavam, até agora, a informação mundial. Hoje, qualquer cidadão pode definir o seu próprio filtro noticioso, enquanto os motores de busca mergulham em tesouros de informação de uma magnitude nunca antes conhecida. Os indivíduos podem agora informar-se melhor do que nunca.

6. A Internet muda melhora o jornalismo.

Através da Internet, o jornalismo pode cumprir o seu papel socioeducativo de uma nova forma. Isto inclui a apresentação de informação como algo em constante mudança, num processo contínuo; o preço da inalterabilidade dos media impressos é um benefício. Aqueles que querem sobreviver neste novo mundo da informação precisam de um novo idealismo, novas ideias jornalísticas e de um sentido de prazer na exploração deste novo potencial.

7. A Internet requer gestão de ligações.

Ligações são conexões. Conhecemo-nos uns aos outros por ligações. Aqueles que não os utilizam excluem-se do discurso social. Isto também é válido para os sítios Web das empresas de comunicação social tradicionais.

8. Ligações recompensam, citações enfeitam.

Os motores de busca e os agregadores facilitam o jornalismo de qualidade: impulsionam a descoberta de conteúdos notáveis a longo prazo e são também parte integrante da nova, interligada esfera pública. As referências através de ligações e citações – incluindo especialmente as que são feitas sem qualquer autorização ou mesmo remuneração da autoria – possibilitam, em primeiro lugar, a própria cultura do discurso social em rede. São merecedores, pr todos os meios, de protecção.

9. A Internet é um novo palco para o discurso político.

A Democracia prospera com a participação e a liberdade de informação. Transferir a discussão política dos meios tradicionais para a Internet e alargar este debate, pelo envolvimento da participação activa do público, é uma das novas tarefas do jornalismo.

10. Hoje, liberdade de imprensa significa liberdade de opinião.

O Art. 5º da Constituição alemã não contempla direitos protectores para profissões ou modelos de negócio tecnicamente tradicionais. A Internet ultrapassa as barreiras tecnológicas entre o amador e o profissional. É por isto que o privilégio da liberdade de imprensa se deve aplicar a todos os que possam contribuir para a concretização das tarefas jornalísticas. Em termos qualitativos, não deve ser feita distinção entre jornalismo pago e não pago, mas sim entre bom e mau jornalismo.

11. Mais é mais – não existe algo como demasiada informação.

Era uma vez, instituições como a Igreja davam prioridade ao poder sobre o conhecimento individual e avisaram que iria surgir um fluxo de informação transbordante quando foi inventada a imprensa. Por outro lado existiam os panfletários, enciclopedistas e jornalistas que provavam como mais informação leva a mais liberdade, ambas para o indivíduo como para a sociedade enquanto um todo. Até aos dias de hoje, nada mudou a este respeito.

12. A Tradição não é um modelo de negócio.

Pode-se ganhar dinheiro na Internet com conteúdos jornalísticos. Já existem muitos exemplos destes, hoje. Mas, porque a Internet é selvaticamente competitiva, os modelos de negócio têm de ser adaptados à estrutura da Net. Ninguém deve tentar esquivar-se desta adaptação essencial através da criação de políticas para preservar o status quo. O jornalismo precisa de concorrência livre para as melhores soluções de refinanciamento na Internet, a par de coragem para investir numa implementação multifacetada destas soluções.

13. Os direitos de autor tornam-se um dever cívico na Internet.

Os direitos de autor são o fundamento da organização da informação na Internet. Os direitos do autor sobre o tipo e espectro de disseminação dos conteúdos são também válidos para a Net. Ao mesmo tempo, os direitos de autor não podem ser utilizados de forma abusiva enquanto alavanca para salvaguardar mecanismos de distribuição obsoletos e para excluir novos modelos de distribuição ou esquemas de licenciamento. A propriedade implica obrigações.

14. A Internet tem muitas moedas.

Os serviços jornalísticos online financiados através de publicidade oferecem conteúdo em troca de um efeito de atenção. O tempo de um leitor, telespectador ou ouvinte é valioso. Na indústria do jornalismo esta correlação foi sempre um dos princípios fundamentais do financiamento. Outras formas de refinanciar, jornalisticamente justificáveis, têm de ser criadas e testadas.

15. O que está na Net fica na Net.

A Internet está a elevar o jornalismo para um novo nível qualitativo. Online, texto, som e imagens não têm mais de ser temporários. Permanecem acessíveis, ao mesmo tempo que constroem um arquivo da história contemporânea. O jornalismo tem de ter em conta o desenvolvimento da informação, a sua interpretação e os seus erros, isto é, tem de admitir os seus erros e corrigi-los de forma transparente.

16. A qualidade permanece a mais importante das qualidades.

A Internet exibe grandes quantidades de conteúdos homogéneos. Só aqueles que se destacam, que são credíveis e excepcionais, vão ganhar seguidores constantes a longo prazo. As exigências dos utilizadores aumentaram. O jornalismo tem de as satisfazer e continuar a seguir os seus próprios princípios frequentemente formulados.

17. Tudo para todos.

A Internet constitui uma infraestrutura para uma mudança social, superior à dos meios de comunicação de massa do Séc.XX: Quando tem uma dúvida, a “geração Wikipedia” é capaz de dar valor à credibilidade de uma fonte, é capaz de seguir a notícia até à sua fonte original, pesquisá-la, verificá-la e avaliá-la – sozinha ou como parte de um esforço conjunto. Os jornalistas que ignoram isto e que não querem respeitar estas competências não são levados a sério por estes utilizadores da Internet. E com razão. A Internet possibilita a comunicação directa com aqueles que eram conhecidos como receptores – leitores, ouvintes e espectadores – e permite tirar partido dos seus conhecimentos. Não são os jornalistas que sabem tudo que são procurados, mas sim aqueles que comunicam e investigam.

O que será do jornalismo?

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Toda vez que leio ou assisto matérias sobre o futuro do jornalismo, sempre sinto um frio na barriga. Primeiramente, porque estudei quatro anos na faculdade de comunicação com a esperança de seguir a profissão. Segundo, porque espero ter um emprego para sobreviver (ganhar dinheiro) por ele.

O caderno de informática, Link, do jornal Estado de São Paulo, publicou nesta semana, uma entrevista com o filósofo e jornalista âncora da CNN, Jonathan Mann, sobre a visão para o futuro dos jornais e do jornalismo.

Para Jonathan, nós estamos passando por umas mudanças dramáticas causadas pela internet, por meio de redes como Twitter e o Facebook. Ele acrescenta que o monopólio das informações está encerrado e qualquer um pode ser jornalista. Particularmente eu discordo da opinião do jornalista.

Reconheço que todo mundo tem condições de produzir e distribuir conteúdos pela rede. Entretanto, não são todas as pessoas que possuem condições de produzir e difundir os fatos em forma de notícias. Como o jornalista citou, sites como Twitter ou Facebook possibilita as pessoas divulgarem as informações, que no meu ver não passam de “fofocas” e não notícias em si.

Outro fato que o jornalista comentou me chamou atenção. Jonathan ratifica que o jornalismo é a forma de produzir e distribuir notícias. Logo, o jornalismo não irá morrer, pelo menos nos próximos anos. A questão está em como as notícias serão distribuídas. Atualmente estávamos enfrentando a crise de distribuição. “A crise é dos jornais, não da notícia”, disse.

Outro ponto que achei muito interessante e confirma o meu pensamento foi ele considerar que as notícias pelas quais as pessoas mais se interessam são “o preço do estacionamento, crimes na vizinhança, clima, preço da comida no supermercado e os jogos do time local”. Elas se importam com o que acontece ao redor. Assim, o jornalismo local (comunitário) se fortifica. Ao contrário que estão fazendo os veículos grandes veículos do Brasil. “É uma audiência global dentro dos interesses específicos”, resume. Esse é o caminho. A segmentação da informação.

No mesmo caderno de informática diz que o Bill Keller, editor-chefe do New York Time, o maior e mais influente jornal do mundo, se reúne periodicamente com Eric Schmidt, presidente do Google, para descobrir novas formas de comunicar. Segundo o colunista do Estadão, Pedro Dória, o editor diz que o jornal está enfrentando de peito aberto a crise, porque a regra no jornal é experimentar.

“Velhos jornalistas acostumados ao papel são atraídos pelo site e a garotada digital sente-se fascinada pelo produto vendido em bancas. Quando reunidos, a criatividade flui”, resumo Keller o espírito inovador do periódico.

O editor abre ainda mais as minhas idéias ao esclarecer que ao abrir todo o conteúdo e aumentar a audiência o Times daria mais retorno em venda de propaganda do que o dinheiro angariado com assinaturas. Bill ratifica que na internet, um jornal com a história do Times e o seu banco de dados valem mais do que as notícias do dia.

O grande mito do jornalismo imparcial

jornalismo parcial

Por Ana Cristina Santos

Desde os tempos mais remotos, quando ainda éramos ingênuos ocupantes dos bancos da academia, ouvimos a falácia de que o jornalista nada mais é do que um narrador dos fatos, um intérprete da realidade, um intermediário entre a ação e o receptor. Um ente desprovido de sentimentos, que como tal deve transmitir isenção e imparcialidade. Na faculdade, além de nos familiarizar com as técnicas, muitos de nós sonhávamos em nos tornar paladinos da ética e da verdade. Eu pelo menos acreditava nisso, e cá entre nós, continuo acreditando.

Quando faço alusão aos “tempos de faculdade”, acho impossível não lembrar dos caricatos professores de medicina do filme Patch Adams – O amor é contagioso. Guardada as devidas proporções éramos, na maioria, matéria prima a ser moldada para a guerra, seres inferiores dispostos a abandonar a condição humana para nos tornarmos JORNALISTAS!

No entanto a realidade não costuma tardar e ela se estabelece definitivamente quando ainda somos focas, patinando nas redações, nas assessorias ou no incólume mercado de free-lancers. Aos poucos vamos nos perdendo e assimilando, em nome da sobrevivência, que a verdade não vem dos fatos e sim da linha editorial. Evidenciar detalhes para comprovar as nossas teses em relação ao que noticiamos é utilidade pública, como se os espectadores fossem incapazes de ter opinião própria.

Os utópicos bobalhões são transformados em bons profissionais. Caberia aqui uma risada maléfica, mas isso não é, pelo menos por enquanto, um desenho animado. Se bem que essa não é uma má idéia. “As aventuras de um foca contra a perversa linha editorial”. Nada clichê: um mocinho de óculos e uma vilã indestrutível®

Voltando a realidade, e ao objetivo desse texto – com as devidas desculpas ao leitor pelas divagações infundadas – o que quero defender é a necessidade de um jornalismo ético. Percebam que não falo em imparcialidade, nem imagino que isso seja possível em nenhuma área, muito menos no jornalismo, feito por seres humanos submetidos aos mais diversos poderes e interesses. Para mim caiu o mito da imparcialidade, mas permanece a idéia de um jornalismo ético, feito com respeito e honestidade.

A diferença, acredito, e longe de mim querer ser a dona da verdade, está no modo que vendemos nossa notícia. Os noticiários da mídia comercial, por exemplo, seriam perfeitos se estivesse claro para a sociedade quem os edita, com que objetivos e através de que instrumentos. Mas isso não acontece, a maior parcela do povo brasileiro recebe as matérias e reportagens como a mais pura expressão da verdade.

Assim foi eleito o presidente Collor, assim Sadam Husseim foi demonizado, assim as pessoas passaram a acreditar que o Legislativo do nosso país não tem nenhuma utilidade, e assim, essas mesmas pessoas, continuam votando e elegendo os mesmos indivíduos para representá-las no Congresso. No entanto, como ninguém consegue mentir para todos o tempo inteiro, e compreendendo que a comunicação seria o quarto poder e não o único, é preciso citar que algumas reações no campo da sociologia podem ser percebidas. Esboços de idéias progressistas começam a surgir no seio da população e assim, para nossa sorte, não estamos definitivamente condenados ao caos.

Do ponto de vista da comunicação imagino que com a popularização da internet – e o possível diálogo direto entre o protagonista e o público – a hegemonia dos grandes grupos será quebrada, já é possível percebe os primeiros sinais, basta analisar com cuidado o caso emblemático do Blog da Petrobrás. Esperemos, portanto, as cenas do próximo capítulo.

Por enquanto continuo firme em minha opinião: Jornalismo que não diz a que veio – que se cobre com o manto da imparcialidade consciente da sua incapacidade em expressar somente os fatos, isentos de opinião, oferecendo as mesmas condições aos vários ângulos do objeto reportado – independente do veículo que utiliza, é um desserviço.

Acredito, no entanto, que uma imprensa capaz e consciente do seu papel social pode fazer uma população mais crítica e preparada, isso é plenamente possível e poderia começar com uma mudança nos currículos dos cursos de comunicação, dando um outro peso ao necessário diploma; passando ainda por aspectos ligados a democratização do acesso à informação e a revisão do papel das concessões públicas, mas isso já é uma outra história.

*Ana Cristina Santos é uma sonhadora com título de comunicóloga. Atualmente tenta entender melhor as bases da comunicação pública e mantém o firme propósito de deixar uma sociedade melhor para as futuras gerações.