Princípios que nunca podemos perder no jornalismo

Os meus últimos posts aqui no blog foram voltados para áreas como tecnologia, marketing ou publicidade. São caminhos que em algum momento se entrelaçam. Já o jornalismo, que pratico todos os dias no meu trabalho, ficou um pouco de lado. Não é porque cansei do assunto, mas não tinha novidade suficiente para ser debatido aqui no blog. Até o momento.

Então, vamos ao post. O jornalista da Rede Globo, Geneton Moraes Neto, fez um dos mais belos retratos do que é ser um repórter. “Repórter é aquele ser bípede que ganha um salário para se intrometer na vida dos outros. Ou para perguntar o que entrevistado preferiria não responder”. Neto vai mais além, ensina como o jornalista deve tratar as suas fontes, mesmo sendo celebridades.

“Uma das primeiras vacinas que o jornalista deve tomar, já no início da carreira, é a AD : anti-deslumbramento. Assim, ele aprenderá que estar próximo não é ser íntimo. Nunca. O fato de eventualmente conviver com quem é de fato importante e célebre, como presidentes, astros, estrelas, gênios e sumidades, não faz do repórter um integrante desta corte. Pelo contrário”.

Continuando no mesmo campo do jornalismo, prefiro dizer nos ensinamentos, sugiro a leitura da entrevista que Geneton fez com o jornalista norte-americano Carl Bernstein, famoso por derrubar um presidente dos Estados Unidos. Essa vale até guardar nos favoritos.

Foto: Flickrs / @reporterdofuturo

O que será do jornalismo?

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Toda vez que leio ou assisto matérias sobre o futuro do jornalismo, sempre sinto um frio na barriga. Primeiramente, porque estudei quatro anos na faculdade de comunicação com a esperança de seguir a profissão. Segundo, porque espero ter um emprego para sobreviver (ganhar dinheiro) por ele.

O caderno de informática, Link, do jornal Estado de São Paulo, publicou nesta semana, uma entrevista com o filósofo e jornalista âncora da CNN, Jonathan Mann, sobre a visão para o futuro dos jornais e do jornalismo.

Para Jonathan, nós estamos passando por umas mudanças dramáticas causadas pela internet, por meio de redes como Twitter e o Facebook. Ele acrescenta que o monopólio das informações está encerrado e qualquer um pode ser jornalista. Particularmente eu discordo da opinião do jornalista.

Reconheço que todo mundo tem condições de produzir e distribuir conteúdos pela rede. Entretanto, não são todas as pessoas que possuem condições de produzir e difundir os fatos em forma de notícias. Como o jornalista citou, sites como Twitter ou Facebook possibilita as pessoas divulgarem as informações, que no meu ver não passam de “fofocas” e não notícias em si.

Outro fato que o jornalista comentou me chamou atenção. Jonathan ratifica que o jornalismo é a forma de produzir e distribuir notícias. Logo, o jornalismo não irá morrer, pelo menos nos próximos anos. A questão está em como as notícias serão distribuídas. Atualmente estávamos enfrentando a crise de distribuição. “A crise é dos jornais, não da notícia”, disse.

Outro ponto que achei muito interessante e confirma o meu pensamento foi ele considerar que as notícias pelas quais as pessoas mais se interessam são “o preço do estacionamento, crimes na vizinhança, clima, preço da comida no supermercado e os jogos do time local”. Elas se importam com o que acontece ao redor. Assim, o jornalismo local (comunitário) se fortifica. Ao contrário que estão fazendo os veículos grandes veículos do Brasil. “É uma audiência global dentro dos interesses específicos”, resume. Esse é o caminho. A segmentação da informação.

No mesmo caderno de informática diz que o Bill Keller, editor-chefe do New York Time, o maior e mais influente jornal do mundo, se reúne periodicamente com Eric Schmidt, presidente do Google, para descobrir novas formas de comunicar. Segundo o colunista do Estadão, Pedro Dória, o editor diz que o jornal está enfrentando de peito aberto a crise, porque a regra no jornal é experimentar.

“Velhos jornalistas acostumados ao papel são atraídos pelo site e a garotada digital sente-se fascinada pelo produto vendido em bancas. Quando reunidos, a criatividade flui”, resumo Keller o espírito inovador do periódico.

O editor abre ainda mais as minhas idéias ao esclarecer que ao abrir todo o conteúdo e aumentar a audiência o Times daria mais retorno em venda de propaganda do que o dinheiro angariado com assinaturas. Bill ratifica que na internet, um jornal com a história do Times e o seu banco de dados valem mais do que as notícias do dia.