A web paralela do Facebook

Pedro Dória, O Globo

Na semana passada, o Facebook anunciou uma série de mudanças na maneira como funciona e em sua aparência. O noticiário das próximas semanas é previsível. Usuários vão reclamar, acusações de quebra de privacidade circularão, uns tantos vão deixar o sistema em protesto. E aí tudo voltará a ser como dantes.

Não é que os infelizes não tivessem suas razões. Tinham. Mas já aconteceu e essas coisas se repetem. Enquanto isso, mais um passo foi dado para a criação de uma internet paralela.

Pois existem duas maneiras de enxergar o que Mark Zuckerberg, fundador do Facebook, está fazendo. A primeira é justamente a de uma internet paralela. Ela é organizada, bem acabada e absolutamente fechada. Já tem mais de 700 milhões de usuários.

A segunda é a de que ele está construindo sobre a internet livre que todos usamos uma nova camada. Esta camada melhora a rede, facilita nossa vida e nos transforma a todos em dependentes do Facebook.

O Google já é assim. Dependemos dele. A rede é inimaginável sem o Google. Ser o segundo a conquistar tal status não é trivial. O Facebook está quase lá.

Para chegar lá, porém, algumas mudanças se fizeram necessárias. A primeira é mudar a alma por trás do botão “curtir”. Espalhado por toda a rede, presente em quase todo site, serve para que o usuário recomende em sua página de perfil no Facebook uma foto, um artigo. O “curtir” mudará. Quem faz programinhas para o Facebook poderá usar qualquer verbo. Um site de fotos poderá ter o selo “eu vi uma foto”, o jornal seu “li este artigo”.

A mudança parece sutil, porém, ao implantar linguagem natural, algo de fundamental muda. No seu Facebook, tudo aparecerá como uma lista de atividades lógica e humana. Agradável.

Leia a íntegra em A web paralela do Facebook

Novo site do caderno Link do Estadão

O site do caderno de informática Link, do Estadão, sofreu uma reformulação ontem. Agora, a página é toda produzida na plataforma WordPress. A maior novidade é a criação de mais cinco blogs, entre eles, a volta do blogueiro Pedro Dória, editor-chefe de conteúdos digitais do Grupo Estado e colunista do Link.

O tema do seu antigo blog, encerrado em agosto de 2009, era política internacional. Já este no estadão, segundo Dória, será sobre transformações.

“Sobre como a maior revolução tecnológica desde Gutenberg alterou nossa forma de nos informar. Sobre como essas mudanças estão recriando indústrias inteiras. É um blog de tecnologia, por certo – mas não sobre aparelhos e sim sobre cultura, comportamento, política. Sobre jornalismo, às vezes – mas sobre como o jornalismo está se transformando em conversa. Sobre música e cinema, sobre economia, sobre as estruturas da sociedade”, diz o post.

Invasão das mídias sociais no BBB 10

O caderno Link do Estadão publicou hoje um artigo do colunista Pedro Dória, o mesmo vídeo do post abaixo que explica os e-books, que faz uma análise sobre o Big Brother Brasil e os novos participantes que já possuem certa reputação nas redes sociais na internet.

Segue um trecho do artigo:

“A anti-mídia social e a invasão no ‘Big Brother’

No momento em que o décimo Big Brother Brasil estrear, terça-feira à noite, as principais redes sociais da internet brasileira sofrerão uma transformação profunda. No jogo da TV Globo, estarão representados Twitter, Orkut, YouTube e Fotolog. (Aproveitem enquanto há tempo: Facebook é território livre de BBBs e afins.)

Será um encontro curioso: redes sociais e TV aberta são bichos com naturezas completamente distintas. A TV aberta é o cerne da mídia de massa e, nela, nenhum programa atinge os picos de audiência do BBB. É o momento do ano no qual a TV Globo deposita todas suas fichas publicitárias. Não é à toa.

A audiência de um programa popular assim se conta às dezenas de milhões. Mais do que isso, ele engole as conversas. O BBB tem seu jeito de monopolizar capas de jornal e revista, está presente nos diálogos de vários canais de televisão, incluindo concorrentes. Está na primeira página de inúmeros portais – principalmente os maiores –, nos rádios.

Nenhum programa da televisão brasileira investe tanto em promover a si próprio. Televisão, meio das massas, é por definição um veículo no qual o monólogo impera. Ele fala, os milhões ouvem e se calam. A TV precisa dominar o assunto. Não quer imprevistos: deseja o monopólio das atenções. É sua natureza.

Mídias sociais vão no sentido contrário. Um fala, todos podem responder. Num Twitter ou Fotolog, ninguém jamais é tão famoso que não possa ouvir um desconhecido e respondê-lo. Nunca se está distante, nos lemos uns aos outros o tempo todo.

As mídias sociais não são avessas a celebridades do mundo aqui fora. Mas tampouco são fáceis para elas. Não basta contratar um assessor que jogue uns torpedos. É preciso um senso de humor capaz de fazer graça de si mesmo, é preciso ser pessoal e interagir é fundamental. Na internet, a gente percebe quem não está de verdade ali no terceiro comentário. É um espaço que William Bonner dominou e no qual Xuxa se perdeu. Ela manteve a distância, não aguentou o contato próximo.”

Veja o artigo completo aqui.

A imprensa industrial

O jornalista do Estadão, Pedro Doria, que também mantém uma coluna sobre tecnologia e mídia no caderno Link do mesmo jornal, costuma fazer uma comparação entre a indústria fonográfica e os grandes jornais e revistas.

Doria foi o primeiro jornalista brasileiro a ter um blog jornalístico. Em alguns artigos, ele costuma dizer que “o mundo pós-industrial é um mundo de micronichos”. Isso diz tudo.

Um dos seus artigos, “O futuro é logo ali”, faz parte do livro recém lançado “Jornalismo Online – modos de fazer”, que reúne artigos de pesquisadores e profissionais de comunicação do Brasil e de Portugal. Você pode ler o trecho do artigo aqui e ver o raciocínio do jornalista comparando as duas indústrias.

Segue o trecho que  Doria descreve o jornal impresso:

A imprensa industrial

Observe uma redação: há um amplo espaço, uma grande sala onde são distribuídas as editorias – economia, cidades, política, esportes, cultura. Desde a manhã até mais ou menos o fim da tarde, repórteres vão à rua para trazer notícias. Na redação, escrevem seus textos e os repassam a seus editores imediatos, que os leem, buscam corrigir-lhes as falhas, decidem onde entrarão na página e que título devem ter. Cada editor está em contato com os responsáveis pela primeira página e para estes vende seus melhores assuntos, disputando o espaço e os destaques da capa.

Produzido o jornal, ele é impresso na gráfica e de presto encaminhado, quando ainda é cedo na madrugada, para uma frota de caminhões e kombis que varam a cidade e o Estado, levando cópias a bancas distribuídas em cada esquina. O dono de cada banca decide onde posicionará o jornal, se empilhado no fundo ou aberto na frente – não há muito espaço na maioria das bancas.

Quem tiver a melhor manchete, a foto mais atraente, venderá mais. Quem dia após dia vender mais, terá a preferência dos donos das menores bancas. Quem estiver em mais bancas atingirá um público maior. Quem tiver um público maior e variado chamará a atenção dos grandes anunciantes que buscam um método de se apresentar aos consumidores. Boa parte do rendimento dos jornais depende desses anúncios – ainda mais do que o valor angariado com a venda em bancas ou de assinaturas.